Uma mulher, que seria a principal peça articuladora de uma facção envolvida com tráfico de drogas na região metropolitana de Porto Alegre, foi presa. Ela recebeu da Polícia o alcunha de “Dama de Copas”, e deu nome à operação policial que teve a sua segunda fase desencadeada nesta quinta-feira (21), em Sapucaia do Sul.
Além dela, foram presas outras 13 pessoas na data de hoje. Desde o início da investigação, um total de 18 pessoas já foram detidas.
O grupo ainda seria responsável pelos crimes de extorsão de dentro do presídio, usando a tecnologia de videomonitoramento, com câmeras instaladas em ruas de bairros da cidade, para controlar as ações da polícia e também controlar moradores.

Foto: Polícia Civil/Reprodução
Na mira da operação estão líderes e integrantes de um grupo criminoso ligado à facção que atua na regiao metropolitana de Porto Alegre, que tinha como principais locais de atuação as regiões da Cohab e do Feliz, conhecida como Hortoflorestal, em Sapucaia do Sul. A Polícia aponta, ainda, que ao longo das investigações foram acumuladas provas robustas que apontam a prática do comércio de drogas comandado de dentro do sistema prisional e articulado externamente por familiares.
Como a Dama de Copas agia
A Polícia identificou que, depois que um dos líderes da organização foi preso na Modulada de Charqueadas, ele manteve o controle das atividades. O detento controlava as ações criminosas por meio de sua esposa, que assumiu posição estratégica na logística do grupo.
A mulher era responsável por recolher o dinheiro oriundo do tráfico, gerenciar os responsáveis pela venda, além de coordenar a logística da operação e outras atividades do crime.
Outro ponto destacado na investigação é o movimento financeiro operado pela mulher, que, entre maio de 2024 e março de 2025, movimentou mais de R$ 1 milhão, valor considerado fruto exclusivo das atividades ilícitas.
Monitoramento por câmeras e intimidação
Um dos aspectos mais impactantes revelados pela Polícia Civil foi a instalação de câmeras de segurança em pontos estratégicos da região da Cohab. As câmeras, que aparentam ser de monitoramento público, na verdade eram usadas pelos criminosos com o objetivo antecipar ações das forças de segurança e monitorar vendedores, usuários e até moradores da região.

Foto: Polícia Civil/Reprodução
“Os vídeos ao vivo eram acessados diretamente do sistema prisional pelo líder do grupo e de casa por sua companheira”, revelou o delegado Marco Guns, que conduz a investigação.
As conversas estabelecidas diariamente entre a “dama de copas” e seu companheiro preso, demonstram a ousadia, o controle sobre os passos da população local e até mesmo a indignação com a ação da polícia quando se fazia presente nos locais de tráfico.
Além disso, foi comprovado que o preso utilizava chamadas de vídeo para intimidar moradores dos blocos da Cohab, exigindo a cedência de apartamentos para vigilância e armazenamento de drogas — reforçando o domínio da facção sobre o território.
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