A professora da rede estadual que foi um dos alvos da operação contra uma organização criminosa responsável por extorquir empresários do Vale do Sinos, ocorrida nesta quarta-feira (16), alega inocência.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
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Investigada por movimentar mais de R$ 5 milhões na conta bancária, valor considerado incompatível com as declarações de Imposto de Renda e com a remuneração como servidora pública, ela sofreu um mandado de busca e apreensão e teve valores de conta bancária bloqueados por decisão judicial.
Professora da rede estadual, a moradora de Novo Hamburgo é suspeita de participar do esquema de lavagem de dinheiro da quadrilha e, segundo a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), de São Leopoldo, teria recebido valores oriundos da cobrança de “pedágios” por parte dos criminosos.
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O “pedágio” refere-se ao pagamento mensal que criminosos exigem de donos de empresas de diferentes setores para que possam trabalhar sem que seus estabelecimentos sejam alvo de ataques.
As movimentações financeiras atípicas chamaram a atenção da Polícia Civil, que identificou que a professora recebia valores oriundos das extorsões promovidas pela quadrilha. Conforme a investigação, ela era responsável por “esquentar” o dinheiro, ou seja, recebia os repasses dos criminosos, dava aparência lícita aos valores e, posteriormente, os transferia a outros envolvidos no esquema.
Nesta quinta-feira (17), o advogado Ranieiri Ferreira das Neves, que defende a professora, afirmou que sua cliente soube que seu nome está relacionado à investigação depois que a Secretaria Estadual de Educação lhe procurou para saber mais sobre o caso. “Ela não foi notificada de nada ainda. Pedimos acesso aos autos, mas ainda não foi autorizado. Só vamos poder falar depois de saber pelo que ela é investigada”, afirma.
Neves garante que a professora nega que tenha movimentado esse valor em sua conta. “Tem movimentação da sua renda como professora e talvez alguma coisa dos negócios do marido, mas me garante que não movimentou nada nem perto disso”, pontua. Por fim, o advogado expõe que sua cliente está abalada e que ela não tem qualquer participação com o crime. “Ela está apavorada”, conclui.
Marido de professora foi preso por estelionado
O marido da professora, que atua no ramo de revenda de carros, já foi alvo de operação da Polícia Civil há cerca de um ano. Na ocasião, foi alvo de uma ação da 1ª Delegacia de Polícia de São Leopoldo por estelionato e ficou sete meses preso. Atualmente, responde o processo em liberdade. Ele alega que foi vítima de clientes, que deixaram carros à venda que tinham problemas.
Justiça determina bloqueio de mais de R$ 13 milhões
A sexta fase da Operação Timeo, que ocorreu nesta quarta-feira (16), teve como foco a descapitalização do grupo criminoso responsável por extorquir empresários com ameaças e cobranças para que seus estabelecimentos pudessem funcionar sem sofrer ataques. Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão em seis cidades: Novo Hamburgo (5), Portão (2), São Leopoldo (1), Cachoeirinha (1), Porto Alegre (1) e Imbé (1).
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Além da apreensão de 73 veículos, foram bloqueados mais de R$ 13,3 milhões em contas bancárias de investigados e apreendidos criptoativos avaliados em R$ 260 mil. Duas pessoas foram presas durante a operação: um homem foi detido com munições no bairro Arroio da Manteiga, em São Leopoldo, e outro foi capturado durante o cumprimento de mandado no bairro Canudos, em Novo Hamburgo.