A delegada da Polícia Civil de São Paulo Layla Lima Ayub, de 36 anos, foi presa nesta sexta-feira (17) juntamente com o namorado, Jardel Neto Pereira da Cruz, o Dedel, líder do PCC no Pará. Foram apreendidos celulares e documentos.

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“Dei bobeira”, disse a delegada ao prestar depoimento na Corregedoria da Polícia Civil paulista. Ela confirmou que participou de audiência de custódia em Marabá, no Pará, como advogada de um faccionado do Comando Vermelho mesmo depois de ter tomado posse como delegada em São Paulo.
A audiência no Pará foi apenas dez dias depois da posse o cargo público em São Paulo. Policiais em geral não podem atuar como advogados depois que assumem o cargo público. O namorado faccionado a acompanhou na solenidade da posse, em 19 de dezembro. Ele estava em liberdade condicional.
A primeira informação sobre as ligações perigosas de Layla com o crime chegou de forma anônima aos promotores do Gaeco e à Corregedoria da Polícia. Ela suspeita que seu ex, um delegado do Estado do Pará, tenha colaborado para a denúncia.
Layla informou que tem uma filha de 18 anos, de relacionamento com um criminoso no Espírito Santo que, alguns anos depois, foi assassinado. Ela contou que fez concurso para a PM capixaba, onde chegou à patente de cabo. Conheceu, então, um policial militar, com quem se casou.
Tempos depois, o marido dela passou no concurso para delegado no Pará e ela pediu desligamento da PM e o acompanhou. Formou-se em Direito e abriu um escritório em sociedade com uma colega.
Como advogada, passou a defender Jardel, preso por tráfico e acusado de exercer a liderança do PCC em Marabá. Ela disse que se “encantou” pelo cliente faccionado. Na Justiça, Layla conseguiu liberdade provisória para Dedel. Separou-se do delegado e foi viver com o faccionado.