Desfalque de droga, tribunal do crime no presídio, sentença de morte, emboscada e assassinatos. A execução de dois DJs no bairro Lomba Grande, em Novo Hamburgo, levará oito membros da maior facção criminosa do Estado, sediada no Vale do Sinos, ao banco dos réus no próximo dia 29. Será o primeiro júri de 2025 na cidade.

Foto: Fotos Polícia Civil
Conhecidos por animar festas na região metropolitana, os moradores de Porto Alegre Leonardo Scherer Kologeski, 21 anos, e Diego Lafoucarde, 36, foram atraídos por conhecidos à Avenida da Integração Leopoldo Petry, próximo à “prainha” de Novo Hamburgo, na noite de 1º de maio de 2020. Era para conversar sobre um negócio recém feito por Leonardo na cidade.
O alvo
Mas não houve diálogo. Ao descer do carro, cada DJ levou três tiros na cabeça. Os corpos ficaram atrás de um Gol branco alugado por Leonardo, em trecho de chão batido. Era ele o alvo da facção, conforme a investigação policial. Diego não tinha envolvimento. Morreu porque estava junto.

Foto: Polícia Civil
A conclusão foi possível pelos telefones das vítimas, assim como outros aparelhos e materiais apreendidos em presídios e residências. Depoimentos de testemunhas, entre amigos e parentes tanto dos mortos quanto de investigados, adicionaram informações.
As vidas por um quilo de crack
Leonardo tinha sido condenado à morte no mesmo dia por presos recolhidos em Montenegro e Charqueadas. Coube a dois gerentes do tráfico, que estavam soltos, contratar os executores. O motivo: O DJ, segundo a Polícia, havia buscado uma encomenda de cinco quilos de crack no Morro da Formiga, em Novo Hamburgo, que seria levada possivelmente às imediações da praia do Cassino, em Rio Grande.
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A investigação apurou que Leonardo estava a mando do apenado conhecido como Veio. Depois de pagar cerca de R$ 60 mil pela droga ao fornecedor, de apelido Guru, o DJ informou a Veio que estava faltando um quilo. O detento ordenou que Leonardo retornasse ao Morro da Formiga para resolver, e ele foi, mas Guru sustentou que havia entregue o combinado.
Pelo celular, Veio, outros presos e alguns membros da facção soltos concluíram que o desvio havia sido feito pelo DJ. Era como se fosse uma audiência virtual de julgamento. A decisão: Leonardo tinha que pagar com a vida.
Os policiais apuraram a rota das vítimas, no dia do crime, por meio do rastreador do Gol alugado. O telefone de Leonardo confirma que havia falado com Veio antes de ser assassinado com o amigo.
Seis réus seguem presos e dois foram soltos
Seguem presos os réus “Veio”, 47, “Salsichão”, 31 anos, “Guru”, 31, “Doguinho”, 29, “Mango”, 24, e “Boguinha”, 28. Terão que ser transportados das penitenciárias de Montenegro, Charqueadas e Porto Alegre para o júri, com início marcado para as 9h30. Soltos no ano passado, “DVD”, 24, e “Balon”, 32, irão de casa para o plenário.
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Sete são nascidos em Novo Hamburgo. A exceção é “Veio”, oriundo de Camaquã, na região centro-sul do Estado. Ele negou envolvimento no crime, assim como outros cinco: Mango, Salsichão, Doguinho, Balon e DVD. Guru e Boguinha ficaram em silêncio no interrogatório.