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Alerta

"É preciso se proteger": Canoas registra, pelo menos, dez crimes de estelionato por dia, aponta a Polícia

Foram 2.266 casos em 2025, conforme o Estado, sendo a maioria crimes virtuais; a delegada Luciane Bertoletti enumera dicas de segurança

Publicado em: 03/09/2025 às 14h:11 Última atualização: 03/09/2025 às 14h:46
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Marco Aurélio Almeida recebeu uma mensagem de um sobrinho pedindo, com urgência, o pagamento de um boleto bancário. Isso porque o parente perderia o carro, caso a conta não fosse quitada de imediato.

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O aposentado com 63 anos pagou a conta e retornou a ligação para o sobrinho, que disse não saber de nada. Foi quando Almeida percebeu que havia sido enganado. Caiu no batido “golpe do boleto.”

Polícia Civil intensificou as operações visando a redução dos crimes cometidos por estelionatários | abc+



Polícia Civil intensificou as operações visando a redução dos crimes cometidos por estelionatários

Foto: POLÍCIA CIVIL/REPRODUÇÃO

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“Na hora, deu uma raiva muito grande, porque não recebo uma soma alta de aposentadoria”, diz. “Mas cai como um pato. Era o mesmo número e tinha até a foto do meu sobrinho no WhatsApp. Não dava para perceber.”

Almeida é uma das 3.867 vítimas dos crimes de estelionato, registradas ao longo do ano passado em Canoas. E o número de crimes não para de crescer. Somente em 2025, já são 2.266 casos, mais de 80% relacionados a crimes virtuais.

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O número de ocorrências apontado pela Secretaria Estadual de Segurança Pública de janeiro a julho responde por um acréscimo de 2,4% se comparado ao período homólogo do ano passado, o que causa preocupação para a Polícia.

Entre 13 e 15 de agosto, o Fórum Brasileiro da Segurança Pública, organizado neste ano em Manaus, teve o estelionato como um dos principais temas em debate por autoridades do setor.

Durante o evento, houve o apontamento de que, ao contrário de crimes como roubos, o estelionato cresceu mais de 400% nos últimos cinco anos em todo o País. O Rio Grande do Sul está inserido neste contexto.

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Em Canoas, por exemplo, os crimes saltaram de 663 casos em 2019 para os citados 3.867 no ano passado, segundo dados do Estado, o que incide em um aumento percentual de 483% durante o período.

Mundo virtual

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Representando a Polícia Civil de Canoas no evento, a delegada Luciane Bertoletti aponta que, desde a pandemia, a vida de grande parte da população migrou do real para o virtual, o que incide no aumento dos crimes.

Ela aponta que, conforme dados apresentados durante o evento, o período da pandemia registrou um acréscimo de 70 milhões de brasileiros, parte da população idosa, cadastrados em bancos digitais.

“Durante a pandemia, aquele senhor ou senhora, que antes visitava pessoalmente o gerente de uma agência bancária, passou, do dia para a noite, e sem conhecimento adequado, a movimentar valores no meio digital”, explica.

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Os idosos, entretanto, não são os principais alvos, avisa a delegada. Os adolescentes também estão na mira de estelionatários, esclarece a titular da 3ª Delegacia de Polícia de Canoas.

“Aqui mesmo, na delegacia, recebemos, em média, três ocorrências por dia”, lamenta. “Os caras passam o dia inteiro ligando para pessoas. Dependendo do valor, dois, ou mesmo um, que caia em um golpe, já ganharam o dia.”

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Vazamento de dados

Entre os assuntos tratados durante o Fórum Brasileiro da Segurança Pública, estava um tema nevrálgico, recorda a delegada: o vazamento de dados.

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Em 2025, um incidente de segurança ocorrido no Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário afetou mais de 11 milhões de pessoas e cerca de 46,8 milhões de chaves Pix.

O caso acabou usado como exemplo por expor dados cadastrais como nome, CPF, nome da instituição, agência e conta de cada um.
“Outros vazamentos acabaram sendo usados como exemplo, é claro”, frisa. “Somente para ilustrar que criminosos acabam se valendo deste tipo de situação para agir.”

Principal crime

Uma autoridade da Polícia Civil quando o assunto é estelionato, Luciane explica que os crimes são cíclicos. Isso porque os criminosos seguem ondas.

O popular “golpe dos nudes”, por exemplo, era a principal dor de cabeça nos últimos dois anos, porém, uma série de ações incidiu na diminuição dos casos.

“Fizemos 15 operações levando para a cadeia os responsáveis por aplicar golpes dos nudes, o que teve como consequência a diminuição dos crimes”, explica. “Agora, notamos que aumentou aqueles pedidos de Pix com urgência por parte de amigo ou parente. As ocorrências chegam diariamente.”

A delegada Luciane Bertoletti é titular da 3ª Delegacia de Polícia de Canoas  | abc+



A delegada Luciane Bertoletti é titular da 3ª Delegacia de Polícia de Canoas

Foto: Paulo Pires/GES

Confira orientações da Polícia Civil para se proteger contra crimes de estelionato:

1) Evitar expor localização

Em um mundo em que as redes sociais e os likes ditam comportamentos, é preciso evitar se expor excessivamente, restringindo as informações a parentes e amigos.
“Não dá para a pessoa postar a localização em um perfil aberto a todos”, explica a delegada. “Isso é um gesto perigoso, porque bandido também monitoram redes sociais.”

2) Ostentação atrai atenção

Também a ostentação de artigos de luxo ou mesmo bens e imóveis de alto poder aquisitivo nas redes sociais pode ser um chamariz para criminosos em busca de vítimas.
“A pessoa conseguiu adquirir um bem ou imóvel, que tente limitar a compra a um grupo seguro de amigos e parentes, porque a exposição em excesso atrai atenção de criminosos.”

3) Desconfiar de promoções

“Se a esmola é demais, o santo desconfia”, diz o ditado popular. A máxima deve ser usada por pessoas tentadas a investir em algo atrativo demais para ser verdadeiro.
“Ao observar qualquer facilidade em uma compra, desconfie”, alerta. “Ninguém está na internet para jogar dinheiro pela janela e, se a compra for muito abaixo do mercado, é preciso suspeitar.”

4) Paixões à primeira vista

Diante dos relacionamentos criados no meio virtual, é preciso ter atenção, principalmente, com as paixões fulminantes, após uma noite trocando mensagens.
“Se a pessoa se apaixona rápido demais no meio virtual, é preciso ligar o alerta”, afirma Luciane. “Tem que desconfiar, porque não é comum ao ser humano. Pode ser só um golpista do outro lado do teclado.”

5) Transferências seguras

Ao transferir qualquer soma, é preciso conhecer seguramente o destinatário. Isso porque os criminosos se valem da distração para encaminhar dados falsos.
“Vai fazer alguma transferência? Então, assegure-se de que aquele código de barras é daquele banco ou empresa. Não dá para sair pagando qualquer boleto em 2025.”

6) Idosos precisam de ajuda

É recomendado aos idosos procurar auxílio para movimentar valores por meio de contas digitais. E caso a relação da pessoa seja com bancos digitais, o cuidado deve ser em dobro.
“Os idosos devem solicitar o auxílio de um parente próximo ou amigo antes de movimentar qualquer valor. Embora não os únicos, são os principais alvos dos golpistas”, reforça.

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