Foi novamente internado o trabalhador de 49 anos vítima de tortura em Canoas no último dia 22, quando permaneceu mantido em cárcere pelo próprio empregador e submetido a extrema violência por mais de 10 horas. O dono de um ferro-velho localizado na área central da cidade, onde trabalhava, obrigou a vítima a decepar parte de um dos dedos da mão com um alicate de cortar corrente.
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Foto: REPRODUÇÃO
Após conseguir escapar do local – com o próprio instrumento usado em uma das mãos – o trabalhador buscou atendimento médico fora da cidade, onde precisou amputar o resto do dedo. Agora, a preocupação da família é ainda maior com relação à saúde da vítima.
Segundo a esposa, Clarice Silva da Silva, houve complicações após o procedimento e, desde então, o marido entra e sai de hospital com infecções devido à ferramenta enferrujada usada para decepar o dedo. “Falaram que ele pode perder a mão inteira”, explica. “Ele está muito preocupado, porque é canhoto e se perder a mão, não vai conseguir fazer muita coisa. Já está difícil agora, porque a mão não melhora”, lamenta.
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Clarice lembra que ela, marido e crianças deixaram Canoas por receio à violência e novas ameaças por parte do chefe, que acabou preso pela Polícia Civil logo após o caso vir à tona.
Segundo as autoridades, o agora ex-chefe está e deve continuar preso. Isso porque a prisão preventiva por tortura e cárcere foi decretada devido à gravidade das acusações. “Ele permanece preso”, confirma o delegado Marco Guns, titular da 1ª Delegacia de Polícia. “Esperamos concluir o inquérito e remeter ao Judiciário nos próximos dias com indiciamento”, revela.
Sadismo
Em entrevista anterior à reportagem, a vítima contou que lembra de todo o sofrimento que passou durante o período em que permaneceu em cárcere. Somados aos ferimentos, está com cicatrizes psicológicas profundas: o trauma, afinal, é recente.
“A dor de arrancar um pedaço do dedo com o alicate foi horrível. Pior ainda foi que tive que ver ele rindo com o meu dedo arrancado na mão. Acho que ninguém deveria ter que passar por isso”, lamenta.
O trabalhador também confirma que as sessões de tortura com choques e água quente foram agonizantes. Isso porque a voltagem era alta e o líquido estava fervendo ao ser derramada sobre a pele. “Tomei marteladas, e não eram ‘choquezinhos’ que ele estava me dando”, explica.
Toda ação era filmada e o chefe se “divertia” durante as sessões de tortura. “Eu vi o quanto ele [agressor] se divertia, e tinha muito medo de não conseguir mais sair dali, mas eu consegui e estou vivo para contar a história”, diz.

Foto: Polícia Civil
Dificuldade
Conforme Clarice, qualquer ajuda, neste momento, seria de grande utilidade devido às dificuldades do casal. Ela coloca à disposição o Pix 001.650.570-09 (CPF) para quem puder colaborar com qualquer valor.
“Tivemos que largar tudo e hoje a situação é muito difícil”, ela confirma. “Toda a ajuda é bem-vinda, porque agora estamos com nada. O dinheiro acabou, mas não vamos mais voltar para Canoas.”
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Entenda o crime
Ao se apresentar para trabalhar no dia 22 de março, o homem foi dominado pelo próprio chefe no ferro-velho onde trabalhava, no Centro de Canoas. A partir de então, o empregador o agrediu com uma furadeira, martelo, choques elétricos e o obrigou a cortar o próprio dedo. A violência durou mais de dez horas, segundo a Polícia, até a vítima conseguir escapar e pedir ajuda.
O caso veio à tona cinco dias após o crime, quando agentes da 1ª Delegacia de Polícia prenderam o dono do ferro-velho, apontado como o responsável pelo cárcere e por torturar a vítima.
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O delegado Marco Guns explicou que o homem acabou torturado porque o patrão imaginava que ele havia furtado uma soma em dinheiro da sucata, contudo nenhum furto ficou comprovado. “Ele [o suspeito] pensava que estava sendo roubado, mas nada justifica tamanha raiva contra outro ser humano”, disse.
Além da furadeira e do alicate usado para cortar o dedo, a Polícia Civil apontou que a tortura incluiu maçarico e água fervente largada nas costas da vítima. “No local, foram encontrados os instrumentos usados no crime, além de uma arma de fogo, tipo garrucha, usada para ameaçar a vítima.”