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Drama sem fim

"Ele pode perder a mão": Trabalhador obrigado a decepar dedo pelo chefe volta a ser internado

Homem de 49 anos enfrenta "entra e sai" de hospital em função de infecções devido à ferramenta enferrujada usada para decepar o dedo

Publicado em: 17/04/2025 às 15h:09 Última atualização: 17/04/2025 às 15h:11
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Foi novamente internado o trabalhador de 49 anos vítima de tortura em Canoas no último dia 22, quando permaneceu mantido em cárcere pelo próprio empregador e submetido a extrema violência por mais de 10 horas. O dono de um ferro-velho localizado na área central da cidade, onde trabalhava, obrigou a vítima a decepar parte de um dos dedos da mão com um alicate de cortar corrente.

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Trabalhador voltou a hospital devido a complicação surgida no pós operatório com o dedo decepado



Trabalhador voltou a hospital devido a complicação surgida no pós operatório com o dedo decepado

Foto: REPRODUÇÃO

Após conseguir escapar do local – com o próprio instrumento usado em uma das mãos – o trabalhador buscou atendimento médico fora da cidade, onde precisou amputar o resto do dedo. Agora, a preocupação da família é ainda maior com relação à saúde da vítima.

Segundo a esposa, Clarice Silva da Silva, houve complicações após o procedimento e, desde então, o marido entra e sai de hospital com infecções devido à ferramenta enferrujada usada para decepar o dedo. “Falaram que ele pode perder a mão inteira”, explica. “Ele está muito preocupado, porque é canhoto e se perder a mão, não vai conseguir fazer muita coisa. Já está difícil agora, porque a mão não melhora”, lamenta.

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Clarice lembra que ela, marido e crianças deixaram Canoas por receio à violência e novas ameaças por parte do chefe, que acabou preso pela Polícia Civil logo após o caso vir à tona. 

Segundo as autoridades, o agora ex-chefe está e deve continuar preso. Isso porque a prisão preventiva por tortura e cárcere foi decretada devido à gravidade das acusações. “Ele permanece preso”, confirma o delegado Marco Guns, titular da 1ª Delegacia de Polícia. “Esperamos concluir o inquérito e remeter ao Judiciário nos próximos dias com indiciamento”, revela.

Sadismo

Em entrevista anterior à reportagem, a vítima contou que lembra de todo o sofrimento que passou durante o período em que permaneceu em cárcere. Somados aos ferimentos, está com cicatrizes psicológicas profundas: o trauma, afinal, é recente.

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“A dor de arrancar um pedaço do dedo com o alicate foi horrível. Pior ainda foi que tive que ver ele rindo com o meu dedo arrancado na mão. Acho que ninguém deveria ter que passar por isso”, lamenta.

O trabalhador também confirma que as sessões de tortura com choques e água quente foram agonizantes. Isso porque a voltagem era alta e o líquido estava fervendo ao ser derramada sobre a pele. “Tomei marteladas, e não eram ‘choquezinhos’ que ele estava me dando”, explica.

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Toda ação era filmada e o chefe se “divertia” durante as sessões de tortura. “Eu vi o quanto ele [agressor] se divertia, e tinha muito medo de não conseguir mais sair dali, mas eu consegui e estou vivo para contar a história”, diz.

Alicate está sendo analisado pelo IGP após ter sido apontado como instrumento usado para cortar um dedo



Alicate está sendo analisado pelo IGP após ter sido apontado como instrumento usado para cortar um dedo

Foto: Polícia Civil

Dificuldade

Conforme Clarice, qualquer ajuda, neste momento, seria de grande utilidade devido às dificuldades do casal. Ela coloca à disposição o Pix 001.650.570-09 (CPF) para quem puder colaborar com qualquer valor.

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“Tivemos que largar tudo e hoje a situação é muito difícil”, ela confirma. “Toda a ajuda é bem-vinda, porque agora estamos com nada. O dinheiro acabou, mas não vamos mais voltar para Canoas.”

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Entenda o crime

Ao se apresentar para trabalhar no dia 22 de março, o homem foi dominado pelo próprio chefe no ferro-velho onde trabalhava, no Centro de Canoas. A partir de então, o empregador o agrediu com uma furadeira, martelo, choques elétricos e o obrigou a cortar o próprio dedo. A violência durou mais de dez horas, segundo a Polícia, até a vítima conseguir escapar e pedir ajuda.

O caso veio à tona cinco dias após o crime, quando agentes da 1ª Delegacia de Polícia prenderam o dono do ferro-velho, apontado como o responsável pelo cárcere e por torturar a vítima.

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O delegado Marco Guns explicou que o homem acabou torturado porque o patrão imaginava que ele havia furtado uma soma em dinheiro da sucata, contudo nenhum furto ficou comprovado. “Ele [o suspeito] pensava que estava sendo roubado, mas nada justifica tamanha raiva contra outro ser humano”, disse. 

Além da furadeira e do alicate usado para cortar o dedo, a Polícia Civil apontou que a tortura incluiu maçarico e água fervente largada nas costas da vítima. “No local, foram encontrados os instrumentos usados no crime, além de uma arma de fogo, tipo garrucha, usada para ameaçar a vítima.”

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