Um empresário de Novo Hamburgo de 49 anos vinha sofrendo ameaças desde sábado (13). As intimidações se estendiam à família. Citavam a rotina da casa e dos negócios, assim como da esposa e da filha de 11 anos. Ele era coagido a pagar R$ 45 mil para não sofrer um “acerto de contas”.

Foto: Reprodução
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Assustado, o hamburguense procurou a 1ª Delegacia de Polícia da cidade no fim da manhã desta segunda-feira (15). Cerca de uma hora depois, por volta do meio-dia, os agentes prenderam um homem de 34 anos em um posto de combustíveis no bairro Liberdade, em Esteio, quando chegou para receber o dinheiro da vítima. É o marido de uma mulher de 22 anos que trabalhou para o empresário na última Expointer, de 30 de agosto a 7 de setembro.

Foto: Polícia Civil
Desde o primeiro contato, o hamburguense sabia quem o ameaçava. Por meio de ligações, mensagens de texto e áudios, o casal exigia uma reparação por suposto desentendimento na Expointer.
“Os indícios são de que foi tudo planejado. Essa mulher, ao trabalhar para a vítima, conquistou a confiança da família para obter informações usadas na extorsão. O casal parecia confiante de que o empresário pagaria e não procuraria a Polícia”, declara o delegado da 1ª DP, Tarcísio Kaltbach.
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“Se não pagar, o pior vai acontecer”
A pedida inicial foi de R$ 40 mil. A ex-funcionária logo exigiu mais R$ 5 mil. O recado era amedrontador: “Se não pagar, o pior vai acontecer”. Com a recusa inicial da vítima, o marido enviou áudios pelo WhatsApp em que frisava saber onde encontrar a esposa e a filha do empresário.
A mulher chegou a fornecer os CPFs do casal para receber via Pix. Assim, conforme ela ameaçava, seria evitado que o marido fosse à casa da vítima acompanhado de comparsas.
O empresário relutou em fazer as transferências. O casal, então, deu uma espécie de última chance: que o pagamento fosse feito em dinheiro em um posto de combustíveis perto da residência do casal, em Esteio. E assim foi combinado.
“O empresário nos procurou e passamos a monitorar a situação, para garantir sua segurança. Ele foi ao local e ficou aguardando. O investigado apareceu em seu Fiat Bravo branco, previamente identificado pela nossa equipe. Enquanto os dois caminhavam até o carro da vítima, onde o dinheiro estaria, a abordagem policial foi realizada”, detalha o delegado.
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O mesmo telefone: “Tô muito preocupada”
Tarcísio autuou o preso por extorsão majorada pelo concurso de pessoas. Ele ficou em silêncio. Não houve situação de flagrante para a esposa, mas ela deve ser indiciada ao final do inquérito. O casal não possui antecedentes criminais.
O delegado menciona uma situação curiosa. “Ao informar a companheira como pessoa a ser comunicada da prisão, o indiciado passou o número de telefone dela, que era justamente de onde partiam as ameaças, conforme verificado no celular da vítima.”
No celular do empresário também ficaram os registros do desespero da mulher nos minutos anteriores e posteriores ao flagrante. Sem saber da prisão, ela não conseguia falar com o marido e ligava de forma insistente para a vítima, que também não atendia.
E escrevia: “Ele está aí com você?… Tô muito preocupada… Onde vocês estão?… Me responde”.
Delegado orienta: “A Polícia deve ser acionada imediatamente”
A orientação de Tarcísio é que a vítima procure logo uma delegacia. “A Polícia deve ser acionada imediatamente nos casos de extorsão, pois assim passamos a monitorar o fato desde o início, com base nas informações trazidas pela vítima. E, mediante rápidas ações e investigações, a tendência é um desfecho com prisão, preservando a integridade física e patrimonial da vítima.”
Denúncias anônimas podem ser feitas à 1ª DP de Novo Hamburgo pelo WhatsApp (51) 99913-3694.