Dois homens foram presos na tarde desta quarta-feira (18) por suspeita de participarem de um esquema de extorsão praticado contra comerciantes e empresários do Vale do Sinos. Segundo a Polícia Civil, o alvo dos criminosos eram estabelecimentos de Estância Velha e Novo Hamburgo, geralmente localizados às margens da BR-116.

Foto: Polícia Civil
Inicialmente, os homens procuravam, em especial, por empresas no ramo de compra e venda de veículos, mas depois passaram a abordar negócios de variados segmentos.
Conforme o delegado Ayrton Figueiredo Martins Júnior, chefe da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de São Leopoldo, o primeiro contato dos suspeitos com as vítimas geralmente acontecia pelo WhatsApp da empresa. Eles iniciavam uma conversa e pediam para falar diretamente com o gerente ou proprietário do estabelecimento, para quem afirmavam que manteriam o local em segurança mediante um pagamento — obrigatório para não haver represália.
“Eles estabeleciam um diálogo dizendo que estavam oferecendo segurança, estavam oferecendo ‘arrego’, e que eles já tinham todos os demais empresários do mesmo ramo no esquema, pagando para eles a segurança, e que todo e qualquer empresário que não pagasse sofreria as consequências: teria a sua casa, teria a sua empresa depredada ou a própria pessoa era ameaçada de violência”, relata o delegado.
Os valores exigidos eram de R$ 1 mil a R$ 1,5 mil por mês de cada uma das 20 empresas vítimas do esquema. Com as ameaças sendo feitas, pelo menos, desde fevereiro deste ano, calcula-se que eles tenham extorquido mais de R$ 200 mil. As cobranças seguiam acontecendo até as prisões de hoje.
Um print de uma conversa pelo aplicativo entre o criminoso e uma vítima mostra como as ameaças aconteciam. “Não aceitaremos mais atraso, quem ficar se fazendo, conversaremos de outra forma”, diz parte da mensagem.
Em outro momento, eles avisam sobre como as vítimas deveriam se portar diante da Polícia: “Estamos espertos que estão indo nas lojas e pedindo pra comparecer na delegacia… se forem aí, vão lá e falem que não pagam nada e que tá tudo certo, que isso é mentira.”
Prisões
Os presos são investigados por práticas de extorsão desde 2021, quando teve início a Operação Timeo. Segundo o delegado, esse foi o 45º inquérito feito pela Draco em decorrência deste tipo de crime em municípios da região. “Esse é o último inquérito que nós temos em andamento, é o inquérito mais recente.”
Martins diz que, nos casos investigados de fevereiro até o momento, não foi relatado violência por parte dos criminosos contra empresas ou vítimas, mas no ano anterior agressões foram registradas.
Um dos suspeitos presos nesta quarta tem 37 anos e estava em casa, no bairro Canudos, em Novo Hamburgo, quando foi abordado pelos policiais. Ele tem antecedentes por porte ilegal de armas de calibre restrito, roubo e receptação. Era ele o responsável por contatar os empresários.
O outro investigado é o chefe da organização criminosa, que já estava detido na Penitenciária Estadual de Porto Alegre (Pepoa) por extorsões, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ele cumpre pena desde 2022, quando foi alvo da primeira fase da Operação Timeo. Segundo o delegado, ele possui, ainda, outros mandados pela mesma operação.