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Caso Ruschel

Escrivão assassinado: Companheira vai novamente a júri em Novo Hamburgo após condenação anulada por causa de trajes íntimos

Primeira Vara Criminal definiu a data e tenta intimar a acusada, que já foi absolvida, condenada e descondenada

Publicado em: 25/03/2026 às 23h:39 Última atualização: 26/03/2026 às 18h:08
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O assassinato do escrivão judicial Paulo Cesar Ruschel, há quase 20 anos, em Novo Hamburgo, terá novo júri. Adriana Guinthner, que era companheira da vítima, voltará ao banco dos réus no dia 5 de maio.

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Paulo Ruschel | abc+



Paulo Ruschel

Foto: Arquivo/GES

Ela já foi absolvida, condenada e descondenada, num dos processos mais longos e conturbados do Rio Grande do Sul. A 1ª Vara Criminal de Novo Hamburgo tenta encontrar Adriana. Em intimação emitida no último dia 16, o órgão menciona que está em “lugar incerto e não sabido”.

No emaranhado de reviravoltas, Adriana foi inocentada em 2013 e condenada a 15 anos e nove meses de reclusão, em outubro de 2023, após tenso júri de dois dias. Chegou a cumprir 13 meses de pena até que, em novembro do ano seguinte, a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ), em Porto Alegre, acolheu a apelação da defesa.

Tribunal considerou “prova ilícita”

O órgão anulou o júri e mandou soltá-la. Entre os motivos, considerou que o Ministério Público (MP) usou “prova ilícita” ao expor, em plenário, fotos da ré em trajes íntimos. Assim, ficava em aberto um novo julgamento. O MP recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, na tentativa de restabelecer a condenação, mas o ministro Ribeiro Dantas manteve, em setembro do ano passado, o entendimento do TJ.

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No dia 19 do mês passado, comunicada da decisão, a juíza da 1ª Vara Criminal de Novo Hamburgo, Bruna Casagrande Siebeneichler, marcou a data. Prevê que a sessão vá de 5 a 6 de maio. “O processo em questão apura a prática de crime ocorrido, em tese, na data de 22/10/2006 e, portanto, trata-se do mais antigo aguardando julgamento nesta Vara”, despachou a juíza.

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“A família espera um ponto final nessa angústia”

O advogado de Adriana, Jader Marques, não foi localizado para comentar a decisão. A ré sempre se declarou inocente. Já o advogado Fábio Adams, que atua como assistente de acusação, faz severas críticas ao andamento da ação penal.

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“A família da vítima espera um ponto final nessa angústia, na situação absurda que se transformou esse processo. Estamos convictos que a condenação é a única solução justa para esse caso.”

Para Adams, deve ser o julgamento definitivo. “Chega! Não é possível que demore 20 anos para decidir uma situação como essa. Não há mais como se admitir postergação.”

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Entenda o caso

Paulo Cesar Ruschel foi morto aos 48 anos de idade com dois tiros na cabeça e um no tórax, por volta das 2 horas de 22 outubro de 2006. Ele dormia quando uma pessoa entrou no quarto e disparou.

O homicídio aconteceu na residência onde o casal morava, na Avenida Pedro Adams Filho, bairro Pátria Nova. Poucos dias depois, policiais civis e peritos fizeram a reconstituição do crime, com a participação da companheira, a principal suspeita, e apontaram contradições dela.

Adriana Guinthner, de 36 anos na época*, foi presa na tarde de 8 de novembro, ao sair da Prefeitura de Novo Hamburgo, onde trabalhava. Seis dias depois, ganhou habeas corpus no TJ e passou a responder em liberdade. Em entrevista à reportagem do Grupo Sinos, ela sustentou inocência e sugeriu que o crime estaria relacionado ao trabalho do companheiro no fórum de Novo Hamburgo.

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Adriana se tornou ré em 24 de novembro do mesmo ano e, em setembro de 2009, a 1ª Vara Criminal de Novo Hamburgo decidiu que ela fosse a júri. A decisão foi derrubada em abril de 2013, quando a acusada foi absolvida por dois votos a um na 2ª Câmara Criminal do TJ. O MP apelou ao STJ, que em junho de 2017 invalidou a decisão do TJ e restabeleceu o júri.

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Em razão de novos recursos da defesa, o júri só foi acontecer em 30 de outubro de 2023. Após 26 horas de sessão, Adriana recebeu 15 anos e nove meses por homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima). Saiu do fórum direto ao presídio, onde ficou até 25 de novembro de 2024, quando novamente foi beneficiada por decisão do TJ.

*CORREÇÃO: A idade foi corrigida às 12h08 desta quinta-feira (25) para 36 anos. Antes, havia um erro de digitação.

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