A violência imposta pelo narcotráfico no Rio Grande do Sul, com sucessivas mortes não só de membros de facções, como também de inocentes, teve mais uma execução na madrugada desta quinta-feira (3). Um grupo armado invadiu uma casa na turística Canela, por volta das 3h30, e deu vários tiros no morador Jairo Ferle, 43 anos, que dormia. Ele morreu na hora.
CLIQUE AQUI PARA ENTRAR NA COMUNIDADE DO ABCMAIS NO WHATSAPP
Ferle já tinha sido condenado e cumprido pena por roubo e tráfico de drogas. Informações preliminares apontam que uma célula da maior facção do Estado, sediada no Vale do Sinos, esteja por trás do homicídio. O motivo seria disputa por território.
O morador estaria com a companheira na residência, na Rua dos Ciprestes, bairro Miná. A propriedade teria sido invadida por três encapuzados, que abriram fogo contra Ferle. Eles fugiram em uma caminhonete de modelo não informado.
A cena no quarto
A Brigada Militar recebeu uma ligação sobre dezenas de tiros, às 3h50, que não informava o local exato. Logo depois veio o telefonema de uma mulher com dados mais precisos. Ela passou o endereço e disse que havia um homem morto na cama. Foi a cena que a corporação encontrou. A área foi isolada para perícia.
“A investigação está em andamento e sob sigilo, com hipótese principal a disputa pelo tráfico de drogas”, declara o delegado de Canela, Vladimir Medeiros. Até a tarde desta quinta, conforme ele, ainda não era possível detalhar a quantidade de tiros e o tipo de armas usadas. Medeiros acrescenta que aguarda laudos da perícia.
Vítima se dizia inocente e afirmava que trabalhava como pedreiro
No interrogatório do processo de tráfico de drogas pelo qual foi condenado, em 2015, Jairo Ferle declarou que trabalhava como pedreiro e afirmou que não lidava com entorpecentes. Também disse que nunca foi usuário.
O flagrante aconteceu na noite de 5 de maio daquele ano, quando o réu foi preso com 48,5 gramas de crack na Rua João Baldasso, na Vila Suzana, em Canela. Segundo a Polícia Civil, ele estava vendendo droga na cidade.
Ainda conforme os agentes, Ferle foi com a esposa buscar o crack deixado por um comparsa em uma mata. Era uma pedra dentro de um balão. O casal foi abordado quando entrava em um Fiat Tempra com o material. O filho pequeno estava no banco traseiro.
O réu alegou que tinha saído de casa para buscar um objeto, que não sabia o que era, a pedido de um conhecido. Disse que, logo após pegar o material, foi colocado no chão por policiais e algemado.
“Entendo que os elementos carreados aos autos conduzem à inequívoca conclusão da prática do delito pelo qual foi o réu denunciado”, decidiu o juiz Vancarlo Anacleto, ao impor pena de seis anos e três meses em regime fechado. A sentença é de agosto de 2015.