Foi em outubro que um grupo de criminosas que agia dentro dos ônibus de Canoas entrou no radar da Polícia Civil, após levar a carteira de uma idosa e passar o dia inteiro gastando as economias da vítima.
Quase dois meses depois, a Polícia lançou a batizada Operação Divas, que levou à cadeia as mulheres que a agiam na cidade seguindo, como modelo, a famigerada “Gangue das Gordas” da capital.
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Foto: POLÍCIA CIVIL/DIVULGAÇÃO
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Segundo a apuração conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia de Canoas, as criminosas são suspeitas de subtrair cartões bancários, sacar dinheiro e fazer empréstimos sem medir consequências.
Somente uma das vítimas apontadas pela apuração teve um prejuízo inicial de R$ 10 mil, além de um empréstimo de R$ 20 mil que o grupo se valeu dos dados bancários dela para garantir.
Conforme o delegado Marco Guns, à frente da investigação, três mulheres acabaram presas preventivamente. Uma suspeita e um homem permanecem foragidos.
A investigação apontou que o grupo, somente durante uma tarde, gastou R$ 10 mil do cartão de uma vítima enquanto circulavam no Canoas Shopping.

Foto: Cedidas pela Polícia Civil
“É um absurdo o que aconteceu”, revela. “Após conseguirem tirar a carteira da vítima, o grupo se aproveitou da senha anotada no cartão e passou a tarde esbanjando o dinheiro da aposentada, sem remorso.”
Guns aponta que as imagens das câmeras de segurança do Canoas Shopping acabaram sendo importantes por revelar não apenas o comportamento criminoso, como também identificar cada uma das envolvidas.
Além disso, ele observa que elas eram conhecidas como “divas” no shopping por vendedoras que sempre as viam gastando dinheiro sem maiores preocupações nas lojas e praça de alimentação. “Elas só entravam em lojas de alto padrão”, aponta. “Tinham uma postura desinibida, sorrindo e ostentando dinheiro à luz do dia, o que deixa claro o desprezo pela carga imposta à vítima do crime.”
Como agiam
Os relatos da atuação das mulheres seguiam um modus operandi característico. À reportagem, uma vítima de 72 anos apontou que elas agiam aliando a distração com a rapidez da juventude, como a “Gangue das Gordas”.
“Tinha uma mulher sentada na escada do ônibus que passou a viagem inteira puxando papo comigo”, contou. “Então, outra se aproveitou e tirou a minha carteira bem rapidinho, sem eu perceber.”
Diretor da Polícia Civil em Canoas, o delegado Cristiano Reschke aponta que a ação evidencia o compromisso em se levar à cadeia grupos que se beneficiam de vulneráveis, se achando acima da lei. “A desarticulação dessa quadrilha é um passo importante no sentido de proteger os direitos dos cidadãos de Canoas”, afirma. “Elas exploravam a vulnerabilidade das vítimas para atacar.”