Negócios milionários de uma facção da região metropolitana de Porto Alegre mostram como os tentáculos do narcotráfico abraçam a economia formal e contam com o sucateamento do sistema prisional para lucrar. Subornar servidores públicos ou se infiltrar em órgãos oficiais fazem parte da estratégia.
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Foto: Polícia Civil
Um conhecido grupo criminoso comprou uma franquia no ramo de alimentação, com unidade instalada em shopping na capital, e mantinha parceria com uma loja para fornecer celulares em grande escala a detentos de pelo menos uma penitenciária gaúcha.
Parte dos empreendimentos da quadrilha movimentou mais de R$ 10 milhões nos últimos quatro anos, conforme a Polícia Civil. O nome da franquia e do shopping não foram informados. O valor mapeado pela investigação foi “esquentado” na aquisição de mais empresas, imóveis e veículos.
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A organização, sediada na zona sul de Porto Alegre, foi alvo de operação contra lavagem de dinheiro e homicídios na manhã desta quinta-feira (12). Ela é concorrente da maior facção do Estado, nascida no Vale do Sinos.
A disputa comercial da droga vem resultando em crimes bárbaros nos últimos anos, como chacinas, decapitações e esquartejamentos.
Presos são presos
A operação Punctum Finale, que significa “ponto final” em latim, cumpriu desde as 6 horas mandados de prisão preventiva contra 19 integrantes da facção, dois deles já recolhidos no sistema prisional. Ou seja, receberam “voz de prisão” dentro da cela, o que se tornou comum, em penitenciária não informada.
Pequena quantia em dinheiro e um carro foram apreendidos na capital e em Gravataí.

Foto: Polícia Civil
O grupo já havia sido alvo de outras duas operações, em novembro de 2024 e junho do ano passado, com a apreensão de R$ 104 mil em dinheiro, dois fuzis, três pistolas, nove automóveis, joias, celulares e um drone, em Porto Alegre, Canoas, Cachoeirinha, Alvorada e Guaíba.
Investimento estratégico em comunicação
Durante as investigações, foi apurado que um membro da facção comprou 20 celulares em loja de um shopping de Porto Alegre. Os aparelhos foram parar nas celas de presídios para manter a rotina vital do narcotráfico, que é a comunicação dos detentos com o mundo exterior.
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A loja é suspeita de manter parceria comercial com a facção. Uma empresa de porte no ramo de sucatas, comprada pelo grupo, é apontada como fachada para lavar dinheiro do crime organizado, entre outros CNPJs investigados.

Foto: Polícia Civil
“Enfraquecer o poderio financeiro”
Para o diretor do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa, delegado Mario Souza, “a repressão ao crime de lavagem de dinheiro visa enfraquecer o poderio financeiro dos grupos criminosos, justamente para evitar que essas usem o dinheiro ilícito para financiar a prática de homicídios.”
Delegado da Divisão de Homicídios da capital, o delegado Thiago Lacerda salienta que o dinheiro oculto “é usado para comprar armas e matar pessoas”, além de se tornar uma concorrência desleal com os pequenos e médios empresários que pagam tributos.