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Polícia

"Faturou entre R$ 30 mil e R$ 40 mil", diz delegada sobre servidor da Prefeitura de Canoas que fingia ser advogado

Suspeito preso preventivamente nesta terça-feira (12) usava OAB falso, que pertencia a um bacharel de Direito em Novo Hamburgo

Publicado em: 12/08/2025 às 11h:20 Última atualização: 12/08/2025 às 13h:08
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“Deixa de embromar”, pediam, por meio de mensagens de WhatsApp ou conversas informais, os “clientes” do falso advogado, na verdade, um servidor da Prefeitura de Canoas, preso preventivamente pela Polícia Civil na manhã desta terça-feira (12).

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O mandado de prisão, além de duas ordens de busca e apreensão, foram realizadas em Canoas e Porto Alegre para garantir elementos que reforcem as denúncias de estelionato, falsidade ideológica e exercício ilegal da profissão contra o servidor de carreira.

Suspeito levado à cadeia nesta terça-feira (12) mentia ser advogado e usava registro de um bacharel em Direito de Novo Hamburgo | abc+



Suspeito levado à cadeia nesta terça-feira (12) mentia ser advogado e usava registro de um bacharel em Direito de Novo Hamburgo

Foto: POLÍCIA CIVIL/REPRODUÇÃO

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O caso

Foi no final do ano passado que as primeiras denúncias começaram a chegar à Polícia, segundo a apuração conduzida pela 3ª Delegacia de Canoas, que instaurou inquérito para apurar os crimes.

Conforme as primeiras seis denúncias, o suspeito se apresentava como advogado regularmente inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e vinculado a um escritório de advocacia. Com o registro que pertencia a bacharel de Direito em Novo Hamburgo, oferecia serviços jurídicos para ingresso de ações de levantamento do FGTS.

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Segundo a delegada Luciane Bertoletti, ele cobrava valores que variavam entre R$ 600 e R$ 1 mil  para supostamente ajuizar as ações. Após o pagamento, no entanto, as vítimas não recebiam informações concretas sobre o andamento dos processos, sendo constantemente desviadas com desculpas e justificativas vagas.

Ela aponta que, se valendo a influência que tinha como responsável pela criação de uma associação, o servidor usava um grupo de WhatsApp para divulgar o trabalho e enganar colegas servidores. Porém, não apenas eles, como esclarece a responsável pela apuração.

“No começo, ele enganava somente os colegas de trabalho, contudo, rapidamente, por meio de indicações, passou a fazer negócios com parentes e amigos dos colegas”, explica. “Houve uma pessoa que acabou sendo lesada, além de ver o pai, a mãe e a irmã serem enganadas por ele”, acrescenta.

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Com o aumento das cobranças por parte dos lesados, o servidor divulgou uma “nota pública” assinada em nome de um desembargador, na qual afirmava que, por questões internas e de documentação, o escritório não havia conseguido ingressar com as ações, mas que os valores pagos seriam devolvidos. A assinatura, confirma a Polícia, é falsa.

“Ele alegava problemas particulares sempre que alguém o cobrava a respeito da situação de um processo”, salienta. “Costumava alegar problemas de saúde em casa. Só que estas desculpas não acabaram adiantando por muito tempo, porque as vítimas começaram a pedir o dinheiro de volta.”

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Novas vítimas

Os desdobramentos da ação desta terça-feira podem ser apresentados nas próximas semanas com a identificação de novas vítimas e eventuais comparsas que podem ter colaborado com os crimes.

“Sabemos que os crimes aconteceram no ano passado, mas ainda não sabemos o montante que ele conseguiu”, observa. “Calculamos que faturou entre R$ 30 mil e R$ 40 mil, no mínimo, mas é algo que o curso da investigação vai detalhar.”

Ainda segundo a delegada, é preciso ter atenção e não confiar cegamente em colegas de trabalho e mesmo amigos de longa data na hora de fechar um negócio, já que o prejuízo pode ser grande.

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“O exercício ilegal da advocacia e a falsificação de documentos não apenas causam prejuízo financeiro, mas também minam a confiança da sociedade nas instituições”, afirma. “Fica o alerta também porque as pessoas não podem simplesmente confiar em um carimbo na hora de confiar o dinheiro que têm para alguém.”

Denuncie

A Polícia Civil recebe denúncias por meio disque-denúncia 181. Quem preferir o canal direto, pode entrar em contato pelo número (51)98608-9984. É possível ainda denunciar por meio de canal no site pc.rs.gov.br.

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Estelionato

Os casos de estelionato permanecem preocupando a Polícia, em Canoas. Foram 1.935 crimes em 2025, número superior aos 1,9 mil casos apontados em 2024.

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