“É uma das coisas mais asquerosas e corrompidas que eu já vi na minha vida.” A fala do influenciador Felca na denúncia sobre adultização de crianças nas redes sociais cita uma investigação que ocorre em Novo Hamburgo e que pode estar próxima do fim.
Foi em dezembro de 2024, às vésperas do Natal, que um caso gerou indignação nas redes sociais: uma moradora teria explorado a imagem da filha com dancinhas, sexualização e até grupo VIP em troca de Pix.
Suspeita e vítima tinham 33 e 14 anos, respectivamente, na época. Os nomes não serão divulgados em função do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
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Foto: Reprodução/Redes sociais
O caso
Na época, a reportagem apurou que a menina aparecia em algumas gravações usando roupa íntima, e até mesmo com os seios à mostra, enquanto era sexualizada. Ela convidava os seguidores a participarem de um suposto “grupo VIP”.
As produções em vídeo eram gravadas em vários cômodos da casa dividida por mãe e filha na cidade do Vale do Sinos.
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Em um dos vídeos, a menina agradecia aos participantes e uma voz feminina complementava: “Estamos pegando o comprovante de muitas pessoas que pagaram para estar aqui no grupo. A gente tem que confirmar o Pix, tem que confirmar o horário, então peço a colaboração de todos, com muita calma, paciência, que logo a [nome da adolescente] já começa a colocar conteúdo do dia a dia dela, das danças”.
Ainda não se sabe, contudo, se a voz pertence à mãe da menina. A conta do X onde o vídeo foi compartilhado estava excluída no dia 26 de dezembro.
Vários perfis em outras plataformas, especialmente no TikTok, foram criados em nome da adolescente. Em um deles dizia que a menina tinha 18 anos na biografia.
Investigação
Ainda em dezembro de 2024 a mãe foi ouvida pela Polícia Civil. “Negou qualquer tipo de comercialização”, disse o delegado João Vitor Herédia. À reportagem, o delegado explicou que todas as vezes que eram publicados conteúdos sexualizados da criança “aumentava muito o número de seguidores”.
Aparelhos eletrônicos foram apreendidos para a investigação.
Neste ano, o caso passou para as mãos do delegado Filipe Brighetti, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Não houve detalhamento sobre o que foi descoberto até o momento, mas o responsável pela investigação assegurou que pretende concluir o inquérito até o fim de setembro.
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“Nós esperamos chegar a alguma conclusão sobre a eventual participação de terceiros, além da mãe, na produção das imagens e [esclarecer se] eventualmente houve a exploração, a monetização com essas imagens”, explicou.
A menina não mora mais com a genitora desde o ano passado. Segundo o Conselho Tutelar, ela está “em situação de acolhimento institucional”. “Adolescente segue em acolhimento, por proteção, sendo responsabilidade do espaço institucional, cuidados e proteção.”
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Questionado sobre o assunto, o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) se manifestou por meio de nota e disse “que foram adotadas as medidas de proteção cabíveis e que segue acompanhando o caso, que tramita sob sigilo, conforme determina o ECA”.
Nome de Felca foi citado na época
Com a proporção do caso no fim de 2024, o nome de Felca foi citado em postagens sobre o caso da menina. Usuários, principalmente do X, apontavam que o influenciador seguia a adolescente e acabaram difamando o influenciador. “Uma menina postou no Twitter que eu seguia, e inventou que eu curtia todos os vídeos, colocando como se eu endossasse o conteúdo”, relatou.
Nos últimos dois minutos do vídeo sobre adultização, ele explicou que seguiu todas as pessoas mencionadas na gravação para fazer um mapeamento de conteúdo e que decidiu tomar medidas jurídicas em função dos comentários nas redes sociais.
Mais de 200 pessoas que difamaram o influenciador foram processadas. “Tenho completo asco por esse crime [abuso sexual]. Na minha percepção, é um dos crimes mais hediondos que existem.”
Segundo ele, todo o valor que receberá com os processos serão repassados para instituições de caridade. O vídeo sem monetização bateu os 50 milhões de visualizações nesta quarta-feira (10).

Foto: Reprodução/Youtube
Pornografia infantil é crime, denuncie
Confira os canais de contato com as autoridades:
– Nacional: Disque 100
– SSP/RS: 181
– Plantão Gabinete de Inteligência e Assuntos Estratégicos (GIE): (51) 98445-9486
– Divisão Especial da Criança e do Adolescente (Deca) Urgente: 0800-6426-400