A Polícia Civil lançou, na manhã desta quinta-feira (27), uma ação interestadual visando desmantelar uma quadrilha de estelionatários que se especializou no popular golpe do “falso advogado”.

Foto: POLÍCIA CIVIL/REPRODUÇÃO
A batizada Operação Charlatan envolve agentes do Rio Grande do Sul e do Ceará no cumprimento de 24 mandados de busca e apreensão e mais 12 mandados de prisão temporária nas cidades de Fortaleza e Maracanaú. Foram nove presos.
Segundo a Polícia Civil, a ação partiu de uma investigação conduzida pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, após a identificação de vítimas cuja soma dos prejuízos chegou a R$ 700 mil.
Durante a investigação, esclarece a delegada Luciane Bertoletti, que conduziu o inquérito, em um período de apenas três meses, a quadrilha fez mais de 30 vítimas somente em Canoas.
O golpe, explica a delegada, consiste em fazer com que a vítima acredite que possui um valor em precatórios a receber. Os golpistas ludibriam a vítima dizendo que para o recebimento do montante ela precisa fazer um depósito a título de honorários, taxas e impostos.
“Tudo parece bastante real, já que os criminosos fingem serem advogados ou funcionários de escritórios de advocacia que a vítima, efetivamente, é cliente”, diz. “Os dados repassados são, na maioria das vezes, verdadeiros, fazendo com que a vítima não desconfie das informações e do contato”, acrescenta. “A vítima é induzida a depositar o valor, via Pix para a conta dos criminosos, basicamente”, conclui.
Luciane Bertoletti salienta também que a investigação foi “complexa” ao expôr um esquema que ultrapassa fronteiras e acaba deixando um rastro de vítimas e de prejuízos em todo o Brasil.
“Todo o esquema é criado por meio de telefonemas e mensagens, então os criminosos podem ter base fixa no Estado do Ceará e, mesmo assim, fazer vítimas em Canoas”, conclui.
Foragidos da Justiça
Diretor da 2ª Delegacia de Polícia Metropolitana, o delegado Cristiano Reschke afirma que a Polícia Civil está atenta e vigilante ao aumento desses crimes virtuais, fraudes e estelionatos estruturados. É crucial, adverte, que as vítimas também procurem a Polícia para registrar ocorrências e assim fortalecer as ações contra esse tipo de crime.
“Investigações como essa só são possíveis com a cooperação entre as policiais, e nesse caso foram fundamentais a Polícia Civil do Ceará com apoio em campo e o Ministério da Justiça que aportou recursos para o deslocamento de equipes”, destaca.
Além dos nove presos no esquema criminoso, acabaram apreendidos, como provas dos crimes, cartões bancários, celulares, HDs externos, máquinas de cartão e veículo. As diligências, no entanto, prosseguem na busca dos alvos que escaparam, agora considerados foragidos da Justiça, avisa o delegado.