Um esquema suspeito de desviar recursos públicos destinados ao tratamento de pacientes com câncer foi alvo de uma operação da Polícia Civil na manhã desta terça-feira (29). Ao todo, foram cumpridas 57 ordens judiciais em 11 municípios do Rio Grande do Sul e em outros quatro estados.
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Entre as cidades gaúchas onde houve ações estão Sapiranga, Campo Bom, Canoas, Taquara, Porto Alegre, Gravataí e Tramandaí.

Foto: Polícia Civil
Durante as diligências, um dos principais investigados foi preso em flagrante após a localização de caixas de medicamentos com indícios de adulteração e falsificação na casa onde ele reside. Também foram apreendidos medicamentos e outros materiais considerados relevantes para a investigação, além do bloqueio judicial de cerca de R$ 2,5 milhões em bens e valores dos investigados.
O esquema
Conforme a investigação, empresas ligadas entre si manipulavam processos judiciais para direcionar a compra de medicamentos oncológicos de alto custo. O grupo simulava concorrência na apresentação de orçamentos ao Poder Judiciário para elevar artificialmente os valores pagos com recursos públicos. As apurações também indicam o uso de empresas de fachada e a circulação de medicamentos com indícios de adulteração e falsificação.
O esquema começou a ser desvendado após um profissional da área farmacêutica identificar inconsistências em um medicamento oncológico, como divergências nas embalagens e características incompatíveis com os produtos originais. A partir disso, foram identificados indícios de uma estrutura que também atuaria na captação de pacientes, no encaminhamento de ações judiciais e na comercialização dos medicamentos.
Até o momento, 39 pacientes foram identificados como possíveis vítimas do esquema. Parte deles morreu durante o tratamento, circunstância que ainda será apurada para verificar se há relação com os fatos investigados.