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CRIME SEM LIMITES

Golpe do falso boleto: Quadrilha usava o Reclame Aqui para fisgar vítimas e é alvo de operação

Criminosos se passavam por suporte de bancos pelo WhatsApp após monitorar queixas de clientes na internet; prejuízos passam de R$ 50 mil por vítima

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Publicado em: 16/06/2026 às 08h:54 Última atualização: 16/06/2026 às 15h:58
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Uma quadrilha especializada no “golpe do falso boleto”, que faturava alto enganando clientes de bancos em pelo menos três estados do País, é o alvo de uma operação da Polícia Civil do Rio Grande do Sul nesta terça-feira (16).

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A ofensiva, da Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos, cumpre mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra quatro investigados.

O grupo funcionava como uma empresa do crime, com uma divisão de tarefas que envolviam desde a falsificação de documentos até o uso de identidades falsas na internet.

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Golpe do falso boleto: quadrilha usava o Reclame Aqui para fisgar vítimas e é alvo de operação | abc+



Golpe do falso boleto: quadrilha usava o Reclame Aqui para fisgar vítimas e é alvo de operação

Foto: Polícia Civil

O inquérito policial que deu origem à operação foi instaurado após o registro de um boletim de ocorrência em que uma vítima relatou o prejuízo de R$ 52.239,27. O valor foi pago por meio de dois boletos falsos enviados pelo WhatsApp por uma mulher que se passava por atendente de uma instituição financeira.

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Os documentos tinham aparência idêntica aos originais, inclusive utilizando o CNPJ real da empresa como suposto beneficiário, mas o dinheiro era integralmente direcionado para contas controladas pelos criminosos.

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Monitoramento no Reclame Aqui e engenharia social: como funcionava a fraude

A investigação policial detalhou a operação da organização criminosa, que atuava de forma estratégica dividida em quatro etapas bem definidas.

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Tudo começava com a captação de vítimas, na qual os investigados monitoravam sistematicamente a plataforma Reclame Aqui. O alvo eram clientes que publicavam queixas sobre dificuldades para obter boletos de quitação antecipada de empréstimos em diversas financeiras.

Após identificar o cliente vulnerável, o grupo partia para a abordagem. Um integrante entrava em contato pelo WhatsApp utilizando um número registrado em nome de terceiros, fingindo ser do suporte oficial da instituição correspondente.

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Na fase de falsificação, os criminosos utilizavam boletos originais gerados legitimamente no Banco Inter em nome de um dos próprios integrantes do esquema. Esses documentos eram alterados para substituir os dados do verdadeiro beneficiário pelos da financeira alvo da reclamação.

Por fim, na fase de recebimento, o dinheiro era creditado na conta do operador financeiro do grupo, que retinha 10% do valor total como pagamento pela disponibilização da conta corrente.

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Os papéis dos quatro integrantes da organização criminosa

A Polícia Civil identificou quatro indivíduos, todos naturais de São Paulo (SP), com papéis específicos e complementares dentro da estrutura ilícita.

O operador central é um homem de 35 anos, responsável pela execução técnica do golpe. Ele possuía acesso privilegiado ao sistema interno de uma das financeiras alvo devido a um contrato de correspondente bancário de sua empresa de intermediação. Com isso, sabia exatamente quais clientes tinham empréstimos ativos. Ele já possui antecedentes pelo mesmo crime cometidos em 2021.

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Sua companheira, uma mulher de 28 anos, atuava como coautora estrutural do grupo.

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Golpe do falso boleto: quadrilha usava o Reclame Aqui para fisgar vítimas e é alvo de operação

Foto: Polícia Civil

O braço financeiro contava com uma mulher de 33 anos, dona da conta bancária receptora e responsável por gerar os boletos originais que serviam de base para as adulterações.

Já a articulação de campo era feita por um homem de 30 anos, com antecedentes por furto qualificado e estelionato. Ele fazia a ponte entre o núcleo técnico e o financeiro, transmitindo as linhas digitáveis e coordenando o momento exato em que as contas estavam disponíveis para receber as transferências das vítimas.

Quebra de sigilo e rastro digital revelam amplitude do golpe

A investigação avançou a partir do rastreamento da trilha financeira dos boletos pagos. Com autorização do Poder Judiciário, a polícia realizou a quebra dos sigilos telefônico, telemático e informático dos suspeitos. O cruzamento dos dados revelou que o e-mail operacional usado no esquema foi criado no mesmo dia do crime registrado e guardava arquivos enviados a pelo menos três vítimas identificadas — embora a polícia ressalte que o número total de lesados seja significativamente maior.

Em telas de gestão de cobranças apreendidas com a operadora financeira do grupo, foram encontradas provas de tentativas de golpes contra outros clientes no mesmo período, com valores que alcançavam R$ 23.120,88 por operação. A Polícia Civil destaca que a ação reforça o combate qualificado aos crimes eletrônicos que utilizam engenharia social e estruturas profissionais para lesionar cidadãos em todo o território nacional.

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