Criminosos envolvidos no golpe do falso investimento com prejuízo multimilionário às vítimas são alvo da Polícia Civil do RS nesta terça-feira (13). [Veja vídeo ao final desta reportagem.]
Foram lesadas ao menos 40 pessoas em todo o País, incluindo uma do Rio Grande do Sul. Em um único dia, em maio de 2025, um dos criminosos adquiriu mais de R$ 7 milhões em criptoativos usando o dinheiro das vítimas.

Foto: Polícia Civil
Os mandados de busca e apreensão e cinco de prisão preventiva são cumpridos em Goiás e São Paulo.
No começo da manhã, três envolvidos no crime haviam sido presos, entre eles, um chinês que seria o “chipeiro” do esquema e que atuava a partir de São Paulo.
Entre as medidas autorizadas pela Justiça, mais de 100 contas ligadas aos golpistas foram bloqueadas.
Além de operadores no Brasil, o esquema tem conexões em Camboja, no Sudeste Asiático.
Vítima no RS
A investigação por parte da polícia gaúcha teve início após um morador do Estado denunciar que havia caído no golpe aplicado pelo grupo que se apresentava como empresa de consultoria especializada em investimentos.
O primeiro contato aconteceu por meio de anúncio patrocinado no Instagram, que prometia alta rentabilidade em operações no mercado de ações.
A vítima foi direcionada a um grupo de WhatsApp que contava com aproximadamente 65 a 88 participantes, onde supostos investidores experientes e professores compartilhavam dicas de investimentos.
A liderança do grupo era atribuída a um “professor” que se passava pelo professor de investimentos Finch Graves, um americano proprietário da empresa Graves Asset Management. Ele teria formação acadêmica na Universidade de Harvard.
Além dele, uma pessoa que se apresentava como Selenne Wilder atuava como “assessora”.
Inicialmente, os criminosos forneceram orientações legítimas sobre ações negociadas em plataformas nacionais, gerando ganhos reais e conquistando a confiança da vítima.
Em seguida, induziram a migração para operações com criptomoedas, direcionando-a a uma plataforma fraudulenta de investimentos.
O golpe
Depois que a confiança da vítima era conquistada, o dinheiro dela era aportado, via transferências Pix, para contas de diversas empresas e, na sequência, supostamente convertido em criptoativos na plataforma dos golpistas, cujos saldos e lucros eram artificialmente inflados para encorajar novos aportes.
Após ciclos de lucro fictício, perdas súbitas e inexplicadas ocorriam, sempre atribuídas a supostos erros operacionais da própria vítima.
A fim de reaver os valores, a vítima era manipulada a realizar novos depósitos, inclusive sob falsas garantias contratuais em um suposto “grupo VIP”, com promessas de rentabilidade que chegavam a absurdos 6.000%.
A Operação
A operação batizada de Mirage – em referência algo que parece ser real, mas que desaparece ou se revela inexistente quando tentamos alcançá-lo – é coordenada pela Delegacia de Polícia de Investigações Cibernéticas.
São cumpridas, no total, 125 ordens judiciais, com cinco prisões preventivas e 13 mandados de busca e apreensão, nos estados de São Paulo e Goiás.
Também foi realizado o sequestro de veículos e o bloqueio de carteiras de criptoativos custodiados por 17 Exchanges.