O Hospital Sapiranga, onde Kauany Ventura de Vargas, de 16 anos, passou pelo parto de sua primeira filha dias antes de morrer, emitiu uma nota na tarde desta quarta-feira (28) para esclarecer os procedimentos realizados durante a cesárea dela, no último dia 2 de maio.
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Foto: Arquivo pessoal
Segundo a instituição, houve uma “digitação equivocada” no título do documento de descrição cirúrgica. Na terça-feira (27), a reportagem do ABCmais expôs que, o laudo, carimbado pelo médico obstetra e entregue à família da adolescente pelo hospital, indicava que além da cirurgia para a retirada da bebê, a jovem teria sido submetida a uma laqueadura.
A advogada da família, Diânifer Soares, alegou que o procedimento não havia sido autorizado, nem mesmo informado à mãe de Kauany ou ao namorado dela. Além disso, a esterilização só é permitida em pessoas acima dos 21 anos, após passarem por uma série de requisitos.
Ainda na noite de ontem, após ser questionada pela reportagem, a casa de saúde negou a realização do procedimento. Nesta quarta, em nota oficial publicada no site do hospital, eles justificaram a suposição.
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“Diante de manifestações recentes da família sobre uma suposta realização de procedimento de esterilização (ligadura tubária) sem consentimento, o Hospital Sapiranga afirma que no documento, entregue a família houve uma digitação equivocada no título do mesmo, porém assegura que não foi feito qualquer procedimento desse tipo conforme consta no campo do descritivo cirúrgico”, diz o texto.
Abaixo, leia a nota na íntegra:
“Nota oficial do Hospital Sapiranga: atualização sobre o falecimento de jovem após cesárea
O caso segue em análise interna rigorosa, conduzida pelas áreas médica, segurança do paciente e direção da instituição, com o objetivo de esclarecer as circunstâncias do atendimento prestado à paciente.
Diante de manifestações recentes da família sobre uma suposta realização de procedimento de esterilização (ligadura tubária) sem consentimento, o Hospital Sapiranga afirma que no documento, entregue a família houve uma digitação equivocada no título do mesmo, porém assegura que não foi feito qualquer procedimento desse tipo conforme consta no campo do descritivo cirúrgico.
O Hospital Sapiranga reitera seu profundo sentimento à família, e segue comprometido em esclarecer o caso.”
O caso
A adolescente morreu na noite do dia 17 de maio, 15 dias após passar por um parto no Hospital Sapiranga, feito pelo obstetra Miguel Xavier. A certidão de óbito de Kauany aponta como causas da morte choque séptico, insuficiência respiratória aguda, septicemia abdominal e infecção uterina.

Foto: Arquivo pessoal
A família da jovem acredita que houve negligência médica. O caso é investigado pelo titular da Delegacia de Sapiranga, Clóvis Nei, que salienta que o inquérito está na fase inicial.
Em função da repercussão do caso, o Conselho de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) abriu uma sindicância na última semana para apurar o atendimento que levou à morte de Kauany. O prazo para a conclusão é de 180 dias, podendo, posteriormente, ser prorrogado por igual período.
A bebê nasceu saudável e está sob os cuidados das avós materna e paterna, e do pai, de 19 anos, com quem Kauany mantinha um relacionamento há quatro anos.
O espaço está aberto para posicionamento da defesa do médico.