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Hospital alega "digitação equivocada" em documento que descreve procedimentos feitos em adolescente que morreu dias após o parto

Laudo, carimbado pelo médico obstetra e entregue à família da adolescente, indicava que além do parto, Kauany Ventura de Vargas, de 16 anos, teria sido submetida a uma laqueadura

Hospital alega "digitação equivocada" em documento que descreve procedimentos feitos em adolescente que morreu dias após o parto
Publicado em: 28/05/2025 às 17h:42 Última atualização: 28/05/2025 às 20h:01
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O Hospital Sapiranga, onde Kauany Ventura de Vargas, de 16 anos, passou pelo parto de sua primeira filha dias antes de morrer, emitiu uma nota na tarde desta quarta-feira (28) para esclarecer os procedimentos realizados durante a cesárea dela, no último dia 2 de maio. 

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Documento recebido por Catieli após morte de Kauany no Hospital Sapiranga | abc+



Documento recebido por Catieli após morte de Kauany no Hospital Sapiranga

Foto: Arquivo pessoal

Segundo a instituição, houve uma “digitação equivocada” no título do documento de descrição cirúrgica. Na terça-feira (27), a reportagem do ABCmais expôs que, o laudo, carimbado pelo médico obstetra e entregue à família da adolescente pelo hospital, indicava que além da cirurgia para a retirada da bebê, a jovem teria sido submetida a uma laqueadura.

LEIA MAIS: Retirada do útero, febre persistente e dores constantes: Mãe narra angústia em atendimento de adolescente de 16 anos que morreu no hospital

A advogada da família, Diânifer Soares, alegou que o procedimento não havia sido autorizado, nem mesmo informado à mãe de Kauany ou ao namorado dela. Além disso, a esterilização só é permitida em pessoas acima dos 21 anos, após passarem por uma série de requisitos.

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Ainda na noite de ontem, após ser questionada pela reportagem, a casa de saúde negou a realização do procedimento. Nesta quarta, em nota oficial publicada no site do hospital, eles justificaram a suposição.

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“Diante de manifestações recentes da família sobre uma suposta realização de procedimento de esterilização (ligadura tubária) sem consentimento, o Hospital Sapiranga afirma que no documento, entregue a família houve uma digitação equivocada no título do mesmo, porém assegura que não foi feito qualquer procedimento desse tipo conforme consta no campo do descritivo cirúrgico”, diz o texto.

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Abaixo, leia a nota na íntegra:

“Nota oficial do Hospital Sapiranga: atualização sobre o falecimento de jovem após cesárea

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O caso segue em análise interna rigorosa, conduzida pelas áreas médica, segurança do paciente e direção da instituição, com o objetivo de esclarecer as circunstâncias do atendimento prestado à paciente.

Diante de manifestações recentes da família sobre uma suposta realização de procedimento de esterilização (ligadura tubária) sem consentimento, o Hospital Sapiranga afirma que no documento, entregue a família houve uma digitação equivocada no título do mesmo, porém assegura que não foi feito qualquer procedimento desse tipo conforme consta no campo do descritivo cirúrgico.

O Hospital Sapiranga reitera seu profundo sentimento à família, e segue comprometido em esclarecer o caso.”

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O caso

A adolescente morreu na noite do dia 17 de maio, 15 dias após passar por um parto no Hospital Sapiranga, feito pelo obstetra Miguel Xavier. A certidão de óbito de Kauany aponta como causas da morte choque séptico, insuficiência respiratória aguda, septicemia abdominal e infecção uterina.

Kauany Ventura de Vargas, de 16 anos, morreu 15 dias após o parto da filha no Hospital Sapiranga | abc+



Kauany Ventura de Vargas, de 16 anos, morreu 15 dias após o parto da filha no Hospital Sapiranga

Foto: Arquivo pessoal

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A família da jovem acredita que houve negligência médica. O caso é investigado pelo titular da Delegacia de Sapiranga, Clóvis Nei, que salienta que o inquérito está na fase inicial. 

VEJA TAMBÉM: VÍDEO: “Deixaram minha filha morrer aos poucos”, lamenta mãe de adolescente que faleceu 15 dias após parto em hospital do Vale do Sinos

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Em função da repercussão do caso, o Conselho de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) abriu uma sindicância na última semana para apurar o atendimento que levou à morte de Kauany. O prazo para a conclusão é de 180 dias, podendo, posteriormente, ser prorrogado por igual período.

A bebê nasceu saudável e está sob os cuidados das avós materna e paterna, e do pai, de 19 anos, com quem Kauany mantinha um relacionamento há quatro anos.

O espaço está aberto para posicionamento da defesa do médico.

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