O combate à violência doméstica no Rio Grande do Sul ganhou força nas últimas semanas, após uma série de feminicídios em sequência que estarreceram o Estado e colocaram as autoridades em alerta máximo.

Foto: POLÍCIA CIVIL/REPRODUÇÃO
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No início da semana, a nova diretora do Departamento Estadual de Proteção a Grupos Vulneráveis, delegada Tatiana Bastos, alertou que 90% das vítimas registradas neste ano, morreram em silêncio.
“Não tinham medidas protetivas de urgência ou jamais registraram ocorrência contra seus agressores”, disse. “A maioria está morrendo sem acionar o sistema de proteção. E a ausência de denúncia enfraquece os mecanismos de prevenção.”
Em meio a este cenário de discussões em torno de soluções para a violência contra a mulher no Estado, a Secretaria Estadual de Segurança Pública divulgou os indicadores criminais referentes ao primeiro quadrimestre de 2025.
Embora Canoas permaneça sem um registro de feminicídio desde o começo, houve quatro tentativas cometidas contra mulheres de janeiro a abril, conforme apontamento do Estado. Mesmo número registrado em igual período de 2024.
O número de ameaças dentro do escopo da Lei Maria da Penha também preocupa. Foram, no mínimo, três a cada 24 horas, com um saldo total de 363 registros anotados, número que é 9% superior aos 332 registros computados no ano passado.
Quanto às ocorrências de lesão corporal, não houve acréscimo, no entanto, o número que se manteve de 203 casos registrados deixa claro que, no mínimo, uma mulher continua sendo agredida por dia na cidade.
Por fim, mesmo que permanecendo em um patamar lamentável, a cifra dos estupros teve uma diminuição percentual de 17%, com a redução de 40 para 33 crimes, segundo apontamento do Estado.
Trabalho
Na avaliação do experiente delegado Cristiano Reschke, diretor da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana, as denúncias confirmam a confiança das vítimas em levar às autoridades os casos.
“Antigamente tínhamos cifras ocultas, que escondiam a violência que surgia dentro de casa”, frisa. “Os números não eram conhecidos e a Polícia não conseguia trabalhar em cima, mas hoje a realidade é outra.”
Reschke aponta que a Polícia Civil e, em especial, a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) permanecem com um trabalho qualificado que vem garantindo prisões de agressores e apreensões de armas.
“Hoje há o encorajamento para denunciar e, por isso, prendemos, apreendemos armas, além de agir assim que há o conhecimento da ação do agressor por meio de uma denúncia”, salienta.
Canais de denúncia
Para a delegada Tatiana Bastos, a chamada “rede primária” de prevenção, composta por familiares, amigas, vizinhos e colegas, é fundamental para evitar o crescimento da violência.
“É nesse núcleo que os primeiros sinais costumam aparecer”, explica. “Quando a mulher se isola, muda comportamentos ou apresenta sinais de sofrimento, o alerta precisa ser acionado”, acrescenta.
Estimular o diálogo, avalia a delegada, é positivo para garantir uma orientação para que se busque ajuda.
“A denúncia, além de legalmente necessária, inibe a reincidência e reduz a possibilidade de agravamento da violência. A omissão custa vidas”, afirma.
Por isso, é importante ter em mente os meios de denúncia e apoio:
Em situação de emergência: 190
Central de Atendimento à Mulher: 180
Disque Mulher 24 Horas: (51)99275-8146
WhatsApp da Polícia Civil: (51)98444-0606
Boletim de Ocorrência pode ser feito na Delegacia de Polícia Online
Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) funciona na Avenida Dr. Sezefredo Azambuja Vieira 2.730, Marechal Rondon, ou em qualquer DP de Polícia. Telefones: (51)3425-9035 e (51)98416-8073
Patrulha Maria da Penha da Brigada Militar: (51)3477-8800; (51)98413-4102.