O humorista Cristiano Pereira da Silva foi condenado a 18 anos, 4 meses e 15 dias de prisão em regime fechado por estupro de vulnerável. O comediante de Novo Hamburgo ficou conhecido por personagens como Jorge da Borracharia, Gaudêncio e, atualmente, pelas participações no programa A Praça é Nossa, do SBT.
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Foto: divulgação
A decisão, proferida nesta quinta-feira (25), é da 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS). O vínculo de Cris Pereira com a vítima, que tinha 4 anos na época, é preservado pelo Grupo Sinos em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que veda a exposição de criança vítima de crime.
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O que diz a acusação
Em nota publicada nas redes sociais, Aline Rübenich, advogada que representa a vítima, afirmou que “a decisão unânime escancara a gravidade de um caso emblemático de violência sexual já julgado no Estado e marca uma resposta contundente da Justiça contra crimes cometidos contra crianças e adolescentes”.
Para Aline, Cris Pereira teria tentado silenciar a mãe da vítima judicialmente. “Esse expediente, infelizmente, é recorrente em casos de violência, onde mulheres e mães são perseguidas judicialmente para que a verdade não venha à tona”, acrescentou.
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O que diz a defesa
Pelas redes sociais, a defesa, representada pelo advogado Edson Cunha, emitiu uma nota de esclarecimento no fim da tarde desta sexta (26). O defensor enfatizou a inocência de Pereira e pontuou que o gaúcho foi inocentado em primeira instância, quando “a sentença reconheceu a ausência de provas quanto à existência do fato ou mesmo de autoria, inocentando ele”.
Segundo a defesa, todos os laudos periciais oficiais do Departamento Médico Legal do RS, “confirmaram a inexistência do fato, tendo, inclusive, o delegado responsável à época, além de não indiciar, foi testemunha de defesa, firmando convicção técnica e jurídica de que não houve nenhum fato”.
A nota narra que a mãe da vítima, então, teria contratado um advogado particular para recorrer da sentença que absolveu e inocentou o humorista. No julgamento em segundo grau, contudo, além da decisão contrária às provas periciais, foram apresentados atestados particulares, documentos produzidos, de acordo com Cunha, de forma unilateral.
A defesa ainda pontua que não teve acesso à decisão oficial do TJ-RS, estando apenas com as informações divulgadas durante a sessão de julgamento, que corre em segredo de Justiça. “Diante desse cenário, serão adotadas as medidas judiciais cabíveis perante as instâncias superiores, com a firme convicção de que a verdadeira justiça prevalecerá, e manterá a absolvição decretada pelo juízo de primeiro grau a Cristiano Pereira.”
Cunha destaca que, nos termos da Constituição Federal, “deve permanecer integro o princípio da presunção de inocência até o trânsito em julgado, o que ainda não ocorreu”. “Mantemos plena confiança no reconhecimento do equívoco de julgamento no TJ-RS, visto que nenhuma das provas efetivamente produzidas sob o crivo do contraditório e da ampla defesa — e analisadas na sentença absolutória de primeiro grau – foi devidamente apreciada no julgamento de segunda instância”, completou.
De Novo Hamburgo
O humorista de Novo Hamburgo ganhou visibilidade nas redes sociais a partir da criação do personagem Jorge da Borracharia, em 2008. Na sequência, criou Gaudêncio e, recentemente, o pedreiro Dinei.
Os três personagens, inclusive, são evidenciados na apresentação de 30 anos de carreira do artista, que inclusive tem show marcados no Buteco Comedy nos próximos dias, e no Teatro Feevale, no próximo mês. As apresentações estavam mantidas até o fim da tarde desta sexta.