A família de Erick Gabriel Leal, de 24 anos, segue inconformada com a morte do jovem, que não resistiu após ser esfaqueado pelo proprietário da casa onde morava no bairro São José, em Novo Hamburgo. O crime acontece na sexta-feira (30), e a vítima veio a óbito dois dias depois, no domingo (1º).
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Foto: Arquivo pessoal
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O crime aconteceu após um desentendimento entre o jovem e o proprietário, que é cadeirante. Em entrevista anterior à reportagem, a companheira de Leal, Rafaelli Moura Januário, 22, relatou que o dono do imóvel, um homem de 60 anos, havia exigido a saída da família por conta dos animais da família. O prazo para deixar o imóvel se encerrava no 30 de janeiro.
No entanto, o casal havia conseguido um caminhão de mudança apenas para o dia seguinte, o que gerou discussão. O proprietário teria xingado e arremessado objetos contra Rafaelli, momento em que o jovem tentou defendê-la, sem perceber que o dono do imóvel estava com uma faca escondida. O jovem foi atingido na barriga e chegou a tomar a arma branca do agressor, que acabou com ferimentos nos braços.
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Seis dias depois do desentendimento e inconformada com o caso, a mãe da vítima, Janice Terezinha Ferreira de Moura, falou com a reportagem de ABCmais nesta quinta-feira (5). Emocionada, a mulher decidiu ir até a Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento de Novo Hamburgo (DPPA) para, segundo ela, contar o que viu na última sexta-feira.
“Imagem que eu tenho é do meu filho em cima do sangue dele”
Janice dirigia após sair do mercado quando a filha atendeu a uma ligação da nora na última sexta. “Minha filha disse: ‘mãe, o mano foi esfaqueado, a Rafaelli tá pedindo socorro'”, relembra. “Atravessei Novo Hamburgo todo, cheguei lá, peguei meu filho do chão. A imagem que eu tenho não é meu filho dentro do caixão. A imagem que eu tenho é do meu filho em cima do sangue dele, pedindo ajuda ‘pra’ mim.”
Ela se deslocou com Leal em direção a uma das Upas da cidade, quando perguntou, no caminho, o que tinha acontecido. Segundo relatado à mãe, Leal estava deitado no interior da residência quando teria iniciado o desentendimento entre o proprietário e Rafaelli no primeiro andar da casa. Ao ouvir a discussão, o jovem decidiu descer para afastar a companheira e o enteado do agressor, momento em que foi surpreendido pelo golpe de faca na região do abdômen.
“Eu vim atrás de respostas pelo meu filho”, disse Janice, em frente à DPPA. “Ele não ‘tá’ pra se defender, mas enquanto eu tiver em pé, tiver fôlego, eu vou buscar justiça pelo meu filho”, diz ela. “Eu só quero ele [o dono do imóvel] preso.”
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Duas versões
Segundo o delegado Ericson Motta, responsável pelo caso, há duas versões que precisam ser apuradas pelas autoridades: a versão de legítima defesa, alegada pelo suspeito – motivo da liberação em audiência de custódia após prisão em flagrante – e a de homicídio qualificado, apontado pela companheira, que presenciou o ocorrido.
“Nós vamos confrontar a descrição dos fatos com o laudo pericial, [que vai apontar] a direção das lesões, a profundidade das lesões, para ver quais elementos fecham, quais elementos são compatíveis e quais não são. E, ao final, nós teremos a nossa conclusão, que pode ser pelo arquivamento do inquérito ou pelo indiciamento do suspeito. Vai depender do que for mais compatível com as provas técnicas que serão apresentadas.”