Inconformidade, tristeza e luto. Esses são alguns dos sentimentos de Gelson Antônio Bernardes, de 67 anos, avô dos gêmeos Bernardo e Vicente Oliveira dos Santos, de 6 anos, que morreram em um acidente de trânsito em São Vendelino.
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Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
As crianças eram passageiras do Ford Courier pilotado pelo pai Jardel Oliveira dos Santos, 37, que colidiu frontalmente com um caminhão na noite de quarta-feira (12). O homem morreu na hora.
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Vicente não resistiu aos ferimentos e morreu na madrugada, enquanto Bernardo teve a morte confirmada na tarde desta quinta-feira (13). A reportagem conversou com o avô materno no fim desta manhã. Bernardes não conteve as lágrimas ao descrever o relacionamento conturbado de Santos com a filha, 42, e o amor pelos netos em entrevista à reportagem. “É um sentimento terrível [acreditar que] uma pessoa [possa] fazer isso com as crianças, meu Deus do céu. É inacreditável que um pai possa fazer pros filhos só para atingir a mãe”, disse, emocionado.
Para Bernardes, o homem teria premeditado para atingir a ex-companheira. “Ele era uma pessoa extremamente difícil, e eu sempre considerei ele um psicopata.”
Antes do acidente, Santos teria colocado fogo na casa onde vivia em Parobé, enquanto estava com os meninos. Bernardes descreve que, assim que a filha soube do fogo, entrou em “desespero total” apenas sob a hipótese de que os filhos estivessem dentro da residência com o pai durante as chamas. “Ele fez para tirar o foco, para que conseguisse fugir com as crianças”, opina o idoso.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Após o episódio ocorrido na manhã de quarta, Bernardes orientou a filha a fazer um boletim de ocorrência pelo desaparecimento dos meninos. No entanto, não deu tempo de encontrá-los.
Sobre os meninos, o avô relata que se aproximou dos netos nos últimos tempos, e que ambos eram cheios de energia e muito amorosos com a família. “O Vico [Vicente] sempre dizia ‘vô, amo você'”, contou, entre lágrimas.
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Sobre a mãe das crianças, informou que a última conversa que tiveram ocorreu antes da morte de Vicente, na noite de quarta-feira. Hoje, com a morte do neto, ele busca apoio para dar à filha. “Tenho que procurar força para dar força para ela, mas onde eu vou arrumar força? É complicado.”
O que diz a Polícia
O delegado Clóvis Nei da Silva, que responde pela Delegacia de Parobé, relata que soube do incêndio quando a mãe dos gêmeos foi fazer o registro do desaparecimento das crianças, na tarde de quarta. Segundo ele, o acordo do casal era que ele entregasse as crianças até o meio-dia, o que não aconteceu.
A Polícia Civil investigará as circunstâncias do acidente, visto que, ao Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM) o motorista do caminhão Scania/R450 que se envolveu no acidente relatou que o Courier trafegava no sentido Serra-capital quando invadiu a pista contrária e colidiu frontalmente contra o seu veículo.
Conforme o delegado André Lorbiecki Roese, que atendeu a ocorrência na noite de quarta, a Polícia depende dos resultados das perícias feitas pelo Instituto-Geral de Peícias (IGP). “Para saber se foi um suicídio ou uma fatalidade”, afirma o delegado. Há suspeita de que o pai possa ter causado o acidente. “Por todo o contexto que houve, com a casa ter sido incendiada”, explica o delegado.
Turma foi liberada para se despedir
Os colegas dos meninos não tiveram aulas escolares na tarde desta quinta, em função da tragédia. Conforme a prefeitura de Parobé, os alunos da turma 112 da Escola Municipal de Ensino Fundamental Idalino Pedro da Silva foram liberados para se despedirem de Vicente. Contudo, informações sobre o velório ainda não foram divulgadas.
*Colaborou: Kassiane Michel