Um industriário de 35 anos foi condenado por tentativa de homicídio contra um sargento da Brigada Militar em Novo Hamburgo. Após quase 12 horas de júri, no último dia 30, Dionatan Dullius recebeu pena de quatro anos e oito meses em regime semiaberto.
O réu nega ter atirado e se diz vítima de provas forjadas. Afirma ainda que foi baleado quando já estava algemado.
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Foto: Arquivo/GES-Especial
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O crime aconteceu na manhã de 17 de outubro de 2013. O acusado, que tinha 23 anos na época, trabalhava como motoboy. Conforme a denúncia, tentou fugir de abordagem na extensão da Rua Camilo Nunes, no bairro Lomba Grande, próximo ao limite com Taquara, por volta das 10h30. Teria caído da moto, sacado um dos dois revólveres que estaria portando e dado dois tiros na direção de um sargento.
Os projéteis teriam atingido o vidro traseiro e o porta-malas da viatura. O sargento e um soldado teriam reagido e disparado contra o motoboy, que levou três tiros. Ainda segundo a denúncia, foi encontrado um tablete de 20 gramas de maconha com o baleado. Um revólver calibre 32 e outro calibre 38 teriam sido apreendidos.
O acusado foi levado pelos policiais ao Hospital Lauro Reus, em Campo Bom. Após alta médica, ficou preso preventivamente até 31 de outubro do ano seguinte.
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“O Conselho de Sentença reconheceu que o motivo do delito está relacionado ao intento de assegurar a impunidade de outro crime praticado pelo réu, qual seja, o porte de arma de fogo sem autorização”, considerou o juiz Flavio Curvello de Souza.
Ele observou que, como a condenação foi no semiaberto, deixava de decretar a imediata prisão. “Dessa forma, remeto ao juízo da Vara de Execuções Criminais a definição de como se dará o início do cumprimento da pena pelo réu Dionatan.” A Defensoria Pública deve recorrer.
Policiais sustentaram legítima defesa
O sargento declarou que o motoboy perdeu o equilíbrio ao desviar da viatura e caiu. Quando se levantou, efetuou dois disparos contra a viatura e, durante a fuga a pé, teria descartado uma arma no mato. O policial declarou que efetuou cinco disparos contra o motoboy. Disse que o colega falou que deu cerca de quatro tiros.
Depois, quando o réu e o soldado já estavam embaixo do barranco, escutou mais dois disparos, mas sem conhecimento da autoria. Disse que foram apreendidas duas armas, uma por ele e outra pelo colega. Negou que tenha presenciado a abordagem feita pelo colega, pois, segundo ele, chegou quando o réu já estava imobilizado e algemado. Não acionaram outras equipes porque naquela região não funciona o rádio.
O outro policial disse que revidou com cerca de três ou quatro disparos para proteger o sargento. Declarou que o motoboy saiu correndo em direção ao mato, momento em que dispensou uma arma. Saiu correndo atrás do acusado, até que não conseguiu passar por uma cerca.
Falou que o réu novamente pegou a arma em punho, o que fez com que desse mais dois ou três disparos contra ele. Segundo o soldado, o acusado então caiu, recebeu voz de prisão e foi encaminhado ao hospital mais próximo.
Réu disse que soldado atirou de propósito na viatura
O réu afirmou que não recebeu ordens para descer da moto. Disse que foi surpreendido com a viatura o derrubando e que os policiais começaram a atirar de imediato, em suas costas. Contou que ficou com medo, dispensou a arma que portava e saiu correndo.
Relatou que foi alvejado e, mesmo depois de estar algemado, o colega do sargento ainda deu um tiro em seu joelho. Segundo ele, o mesmo policial teria manobrado a viatura e ele próprio desferido tiros contra ela.
Admitiu andar armado, mas somente com o revólver calibre 32, alegando que era para se proteger de assaltos. A maconha, conforme afirmou, era para uso próprio. Afirmou que não sabe da segunda arma.
Para o advogado Martin Gross, que fez a defesa no plenário, há carência de provas no processo. “Mas teve a chamada reprodução simulada dos fatos, através da qual a perícia apontou que a forma como o Dionatan relatou seria possível de ter ocorrido. Sendo que ele não teria como ter mexido nas armas”, observou. O defensor acrescentou que a perícia técnica deixou muitas dúvidas.