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DEEPFAKE

Kit antirrugas e mala de brinde: Imagens de Gisele Bündchen, Sabrina Sato e outros famosos eram feitas por IA para golpes nas redes sociais

Organização criminosa usava esquema sofisticado e que impressionou até mesmo os investigadores experientes em crimes cibernéticos

Publicado em: 01/10/2025 às 10h:40 Última atualização: 02/10/2025 às 07h:20
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Ao entrar nas redes sociais, as pessoas se deparavam com vídeos de Gisele Bündchen anunciando malas e produtos de skincare de marcas famosas. A promessa é que receberiam os itens praticamente de graça, após pagar o que seria o frete, geralmente em valores pequenos.

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Foi assim que uma organização criminosa movimentou cerca de R$ 20 milhões, usando imagens falsas feitas de inteligência artificial (IA), as chamadas deepfakes, da modelo e de outros famosos. O grupo atuava de forma nacional, inclusive no Rio Grande do Sul.

Deepfake de Gisele Bündchen era usado para aplicar golpe que envolvia marca famosa de produtos de skincare | abc+



Deepfake de Gisele Bündchen era usado para aplicar golpe que envolvia marca famosa de produtos de skincare

Foto: Reprodução

A organização criminosa, especializada em fraudes eletrônicas, foi alvo da Operação Modo Selva da Polícia Civil. Nesta quarta-feira (1º), foram cumpridos 26 mandados judiciais, sendo sete prisões preventivas, inclusive em Canoas, e nove mandados de busca e apreensão nos estados do RS, Santa Catarina, Pernambuco, São Paulo e Bahia.

A operação foi deflagrada pela Delegacia de Polícia de Investigações Cibernéticas Especiais (Dicesp), vinculado ao Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (Dercc). A investigação apurou os seguintes delitos: estelionato com fraude eletrônica, organização criminosa, lavagem de dinheiro, contravenção penal – jogo de azar.

Kit antirrugas e mala de brinde; criminosos usavam imagem de Gisele Bündchen para praticar golpes
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Malas da Farm e kit da Principia

As investigações começaram após uma vítima procurar o Dercc por ter pago R$ 44,57 como frete para poder receber supostamente um kit antirrugas da marca Principia, que sairia de graça, e foi anunciado por Gisele Bundchen em um vídeo.

As deepfakes da modelo também foram usadas para anunciar uma suposta promoção da marca Farm. A pessoa era incentivada a clicar em um link, deixar as informações pessoais e então pagar o frete para o produto que não existe.

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“O que começou como uma denúncia de estelionato simples revelou uma organização criminosa extremamente sofisticada, que explorava nomes de grandes marcas nacionais”, explicou a delegada Isadora Galian, responsável pela investigação.

Uma das preocupações da polícia é que a maioria das vítimas jamais denunciou os golpes, principalmente porque os valores cobrados eram relativamente baixos, geralmente entre R$ 20 e R$ 100.

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“Isso criava uma situação perversa onde os criminosos tinham uma espécie de ‘imunidade estatística’. Eles sabiam que a maioria das pessoas não iria denunciar, então podiam operar em massa sem medo”, afirmou ela.

Golpe usava deepfake de outros famosos, como Juliette e Angélica

As investigações revelaram que a organização mesclava o uso da tecnologia com a lavagem de dinheiro, usando cinco fases.

Primeiro, eles usavam redes generativas adversariais (tecnologia de deepfake) para produzir imagens de celebridades promovendo produtos falsos. Além da modelo, a polícia também encontrou materiais com a imagem de Angélica, Juliette, Maísa e Sabrina Sato.

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Os vídeos eram divulgados em perfis falsos nas redes sociais, principalmente Instagram e Facebook. Um deles usava o nome de “Dra Bianca Oliveira”, com dados fraudulentos. Os criminosos também usavam uma VPN americana, um sistema para ocultar a localização real de onde os computadores estão.

As vítimas eram levadas para sites onde deveriam fornecer dados pessoais e então fazer um PIX, mas através de gateways de pagamento controlado.

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Esses valores eram processados por empresas fantasmas e caíam em contas de laranjas. Algumas das contas usadas no esquema eram de idosas de 80 e 84 anos, que tiveram as identidades usadas sem conhecimento.

Crime sofisticado

A Polícia Civil afirma que a “sofisticação técnica” do grupo impressionou até mesmo investigadores experientes em crimes cibernéticos. Além das deepfakes, que enganavam até mesmo quem tinha conhecimento tecnológico, os criminosos usavam:

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  • VPNs internacionais;
  • e-mails criptografados;
  • empresas fantasmas;
  • dispositivos compartilhados para operar múltiplas contas bancárias, dificultando o rastreamento.

Com os golpes, o grupo movimentou cerca de R$ 20 milhões de reais, além de ostentar carros de luxo, viagens de helicópteros e aviões particulares nas redes sociais.

Além dos mandados de busca e apreensão, foram expedidos de sequestro e indisponibilidade de 10 veículos, bloqueio de 21 ativos, investimentos ou aplicações, contas bancárias e carteiras de criptoativos. No total, os valores podem chegar a R$ 210 milhões.

Inclusive, foi identificado que os supostos envolvidos no crime usavam as redes sociais para fomentar o uso de jogos online, incluindo uma plataforma falsa de bets.

Os personagens do esquema criminoso

O esquema tinha uma estrutura hierárquica bem definida, onde cada um dos integrantes exercia uma função específica. A polícia descreveu quatro deles como:

“Cérebro” da Operação

Ele foi identificado como o líder intelectual da organização, responsável pela criação das deepfakes e desenvolvimento da estrutura técnica dos golpes.

“Operador Financeiro”

Chamado pela polícia de “Operador Financeiro”, ele controlava múltiplas contas bancárias e era quem controlava a movimentação dos valores obtidos com os golpes.

“Facilitador de Pagamentos”

As investigações apontaram que o chamado de “Facilitador de Pagamentos” controlava o gateway de pagamento Elite Pay, que tinha um histórico descrito pela polícia como terrível no site Reclame Aqui.

“Influenciadora do Crime”

Como o nome diz, a “Influenciadora do Crime” usava os mais de 110 mil seguidores para impulsionar os golpes e promover jogos de azar ilegais. Quando os criminosos criavam os conteúdos falsos usando as deepfakes de famosos, ela era marcada. Assim, as imagens apareciam no perfil dela e atingiam milhares de pessoas.

Nas redes sociais dos suspeitos identificados pela polícia, eram postados vídeos de ostentação, mostrando veículos de luxo como Porsche Cayenne S, Range Rover Velar, BMW 430i e motocicletas BMW.

Universidade do crime digital

O “Cabeça” de toda a operação também havia criado uma espécie de “universidade do crime digital”, oferecia mentoria para ensinar técnicas de golpes, segundo os policiais.

Em um perfil nas redes sociais, ele ensinava as pessoas a se tornarem, e até a “pensarem como”, “predadores digitais”. Inclusive, o nome da operação vem do perfil, o @modoselvaoficial.

“Ele literalmente estava criando uma escola para formar novos criminosos digitais. O perfil crescia exponencialmente e já havia ‘formado’ diversos ‘alunos’ que replicavam os golpes em outros estados”, alertou a polícia.

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Como identificar que promoção é um golpe digital

Conforme a Polícia Civil, existem alguns sinais de que uma suposta promoção pode ser um golpe digital. Dentre eles, estão:

  • Desconfie de “promoções imperdíveis”, mesmo que protagonizados por celebridades;
  • Verifique a autenticidade dos perfis que divulgam ofertas;
  • Pesquise a reputação da empresa em sites como o Reclame Aqui antes de comprar;
  • Nunca forneça dados pessoais ou realize pagamentos sem confirmar que a oferta é real;
  • Se suspeitar que é um golpe, denuncie imediatamente para a polícia, mesmo que o valor seja baixo.

O que diz a Farm

A empresa se manifestou no site oficial e nos Destaques do Instagram. Confira na íntegra:

Fique alerta: não estamos oferecendo malas ou qualquer outro produto como brinde. Sites e anúncios não oficiais têm divulgado promoções falsas sobre a FARM e já estamos tomando providências legais para que esses golpes acabem. Confira as nossas dicas para tornar a sua experiência online mais segura:

  • desconfie de preços e descontos incomuns.

Confira se a comunicação foi feita por um dos canais oficiais da FARM.

instagram // twitter // facebook // pinterest

@adorofarm 

instagram global

@farmrio

site

farmrio.com.br

site global

farmrio.com

Mesmo parecendo uma comunicação original, antes de fechar qualquer compra, verifique na barra de endereços se a URL do site é a nossa oficial: farmrio.com.br.

Acompanhe perfis de vendedoras de confiança.

Em caso de dúvida sobre a legitimidade de alguma página ou promoção, entre em contato com a gente: atendimento@farmrio.com.br ou (21) 3733-7701.

A reportagem do ABCMais tentou contato com a empresa Principia, mas sem sucesso até o fechamento desta reportagem. O espaço continua aberto para manifestação.

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