Um médico residente foi preso na noite desta sexta-feira (27), dentro do Hospital Universitário de Canoas, acusado de exigir pagamentos indevidos para a realização de procedimentos cirúrgicos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Foto: Arquivo
CLIQUE AQUI PARA ENTRAR NA COMUNIDADE DO ABCMAIS NO WHATSAPP
A ação ocorreu após uma investigação da 3ª Delegacia de Polícia de Canoas identificar que o profissional solicitava valores entre R$ 1.500,00 e R$ 2.000,00 para agendar operações ortopédicas que deveriam ser totalmente gratuitas à população.
De acordo com a delegada Luciane Bertoletti, o investigado utilizava o pretexto falso de que os valores seriam destinados ao custeio de materiais necessários para as intervenções.
BR-116: Rodovia tem mais um trecho com desvio para obras em Novo Hamburgo
O médico condicionava a marcação das cirurgias ao pagamento em espécie, o que motivou a ação policial justamente no momento em que ele se preparava para receber o dinheiro das mãos de familiares de um paciente.
A abordagem aconteceu no interior da unidade hospitalar.
Após a detenção, o médico foi autuado pelo crime de corrupção passiva majorada, conforme previsto no Artigo 317, parágrafo 1º do Código Penal, devido à infração do dever funcional.
A Polícia Civil mantém as investigações em andamento para apurar se o profissional fez outras vítimas e se há mais envolvidos no esquema de cobranças irregulares na região.
CRM cancelado
Segundo o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), o médico identificado como Pablo Rojas Romero estaria com a documentação do registro profissional irregular. No portal do Conselho Federal de Medicina (CFM), o Cadastro Regional de Medicina (CRM) do médico consta como cancelado.
O CRM é emitido pelo conselho estadual, que legaliza o exercício da medicina. No Brasil, o registro profissional é obrigatório para médicos. O CRM funciona como uma licença única que comprova a habilitação do médico e fiscaliza a ética profissional. O CRM exigido em documentos como receituários e atestados, por exemplo.
Até a publicação desta matéria, o médico e sua defesa não haviam sido localizados para comentarem o caso. O espaço segue aberto para manifestação.
O que diz o HU
Por meio de nota, o Hospital Universitário reiterou que é uma instituição 100% pública e que qualquer cobrança de pacientes é ilegal.
“O Hospital Universitário (HU) de Canoas esclarece que recebeu denúncia da prática ilegal e, tão logo apurou os fatos internamente, procurou a Polícia Civil para Boletim de Ocorrência e encaminhamento da questão.
O HU e a Associação Saúde em Movimento (ASM) afirmam que desde o primeiro momento colaboram com as investigações da Polícia Civil. O Hospital Universitário é uma instituição 100% SUS e não cobra por qualquer tipo de procedimento. Práticas assim devem ser denunciadas imediatamente”, diz o comunicado.
Consultado a respeito do CRM cancelado do médico, o Hospital ainda não se posicionou.
LEIA TAMBÉM: Confronto entre policiais e suspeitos deixa dois mortos no Vale do Paranhana
100% SUS
Em suas redes sociais a administração do Hospital Universitário de Canoas enfatiza que não cobra por exames ou procedimentos, nem pede valores de paceintes ou familiares para cobnrir despesas hospitalares, reiterando que qualquer tipo de cobrança efetuada a pacientes ou familiares é estritamente ilegal e deve ser denunciada.