O desmantelamento da segunda fase da Operação Carrasco pela Polícia Civil, nesta segunda-feira (15), revelou que a crueldade contra cães e gatos em Canoas funcionava como uma engrenagem financeira altamente lucrativa.
Por trás do discurso de amor aos animais, a ex-secretária de Bem-Estar Animal do município, Paula Lopes, estruturou um negócio que movimentou mais de R$ 670 mil, explorando a boa-fé de milhares de doadores. Dois médicos veterinários tambem foram presos na ação de hoje.
A investigada, que teve a prisão preventiva decretada, segundo a polícia, teria criado um esquema massivo de estelionato e eutanásias criminosas.
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Foto: Polícia Civil
549 vaquinhas virtuais
A Polícia Civil identificou um modus operandi perverso em duas frentes distintas. Nas redes sociais, a ex-secretária criava uma falsa narrativa de cuidado e divulgava campanhas de arrecadação financeira e vaquinhas virtuais para custear tratamentos complexos.
Nos bastidores, no entanto, ela autorizava a eliminação dos animais antes mesmo de qualquer tentativa de cura ou confirmação diagnóstica.
Os dados bancários e digitais levantados pela investigação da 3ª Delegacia de Polícia de Canoas impressionam pela escala do faturamento. Desde 2020, o instituto da ex-gestora organizou 549 vaquinhas virtuais e campanhas de arrecadação instantânea via Pix.
Ao todo, 14.545 pessoas caíram no golpe, acreditando que estavam financiando cirurgias, internações e medicamentos de alta complexidade. Na realidade, o dinheiro entrava na conta da associação criminosa enquanto os animais tinham o destino oposto ao anunciado.
A delegada Luciane Bertotti afirmou que “eles organizaram-se como uma estrutura criminosa. A morte de cada cão não era um ato de piedade, mas um ato de lucro.”
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Foto: Polícia Civil
Rastreamento de microchips busca descobrir tamanho do desvio
A primeira fase da operação, deflagrada em setembro de 2025 na sede da Secretaria Especial de Bem-Estar Animal (SEBEA), já havia acendido o alerta devido ao volume injustificado de mortes. Com a segunda fase avançando sobre a ONG que a ex-gestora mantinha em um sítio após sua exoneração, o foco se tornou financeiro e patrimonial.
Agora, a Polícia Civil dará sequência aos trabalhos cruzando os dados de microchips para descobrir o paradeiro de centenas de animais desaparecidos e mensurar o tamanho exato dos crimes.