A morte do pedestre Flávio Lucas dos Santos Grubert, de 34 anos, gerou revolta na comunidade. O trabalhador voltava para casa no começo da tarde de sábado (4) quando foi atingido na cabeça por uma bala perdida durante um confronto entre a Brigada Militar e criminosos no bairro Harmonia, em Canoas.
Nesta segunda (6), a delegada Graziela Zinelli, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa da cidade, confirmou que instaurou inquérito para apurar o caso. Este mesmo dia é marcado pelo velório e sepultamento de Lucas, como era conhecido pelos amigos.
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Foto: PAULO PIRES/GES
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Irmão mais velho da vítima, Fábio Carvalho dos Santos relata que Lucas era o tipo de pessoa que se dividia entre as tarefas de casa e do trabalho, em uma empresa de hortifrutigranjeiros. Não costumava beber e, mesmo durante a juventude, se recusava a ir a festas.
“O sentimento de revolta é muito grande, porque não dá para imaginar que um ‘guri’ bom como o Lucas morreria desse jeito”, lamenta. “Nunca fez mal a ninguém e acabou baleado e morto. Quem iria dizer isso?”, questiona Santos.
O trabalhador foi atingido por um tiro no rosto, pouco abaixo do olho, enquanto caminhava pela Avenida Rio dos Sinos. Estava acompanhado do pai e de um amigo no momento em que foi baleado. Chegou a ser socorrido, passou por procedimento cirúrgico, mas não resistiu e morreu no domingo de Páscoa (5). A bala acabou alojada na cabeça.
“Tomou um tiro debaixo do olho e só desabou no chão”, desabafa o irmão. “Acho que não tem cabimento ‘os caras’ saírem atirando assim na rua porque roubaram um Peugeot velho. Nada justifica. Era um ‘guri’ bom. Trabalhador. Não merecia um destino assim. Ninguém merece.”

Foto: REPRODUÇÃO
“Deram um monte de tiros”, diz moradora
O caso que culminou na morte de Lucas abalou também os moradores da avenida onde o confronto aconteceu. Eles relatam estavam acostumados a observar o trabalhador passando pela via com sacos de frutas e legumes.
“Muito querido por um monte de gente. Lá em casa, nem acreditamos quando soubemos que era ele baleado durante o tiroteio”, comentou a aposentada Junara Garcia Ramos, 69, que estava em casa no momento do tiroteio. “Saímos de casa muito tempo depois para ver o que era, e então soubemos da morte.”
Moradora de um condomínio a metros do local onde Lucas acabou atingido, Carlota Macedo, 44, havia saído para ir ao mercado no momento em que o crime aconteceu. Ela aponta que foram dezenas de disparos ouvidos pelos moradores. Para ela, mais pessoas poderiam ter ser atingidas.
“Morreu o rapaz e poderia ter morrido mais gente, porque deram um monte de tiros. Foram dezenas. Tem marcas de bala em postes e cercas”, aponta a vendedora. “Muito triste saber que uma pessoa estava caminhando e foi acertada com um tiro. Ficamos perplexos na hora.”
Entenda o caso
No começo da tarde do último sábado, o roubo a um Peugeot 208, no bairro Marechal Rondon, em Canoas, ligou o alerta da Brigada Militar.
Policiais da Rocam – Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas – avistaram o veículo com dois assaltantes circulando pelo bairro Mathias Velho. Os PMs acompanhavam o veículo roubado quando os criminosos perceberam que estavam sendo seguidos. Começou a fuga e consequente perseguição em direção ao bairro Harmonia.
Durante a perseguição, os criminosos projetaram o Peugeot 208 contra a motocicleta de um policial, que caiu no asfalto.
Já na Avenida Rio dos Sinos, minutos depois, um tiro acabou vitimando Lucas, socorrido e encaminhado à emergência do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), em Canoas.
Os assaltantes acabaram baleados e presos instantes depois. Um deles, inclusive, não resistiu e morreu na emergência do HNSG também no domingo.
O que diz a Brigada Militar
Comandante à frente do 15º Batalhão da Polícia Militar (BPM), o tenente-coronel Clóvis Ivanl Alves disse que há um procedimento interno da Brigada Militar para apurar as circunstâncias do tiroteio.
“Houve um confronto no local”, aponta. “As guarnições relataram que o disparo fatal partiu dos delinquentes, mas será instaurado inquérito para apurar as circunstâncias”, informa.
O policial militar que caiu durante a ocorrência se recupera, segundo o comando da Brigada Militar, devido às escoriações da queda.