“Estou com medo de sair na rua e sofrer represálias.” A declaração é do motorista de aplicativo, de 57 anos, que aparece nas imagens das câmeras de segurança entregando a caixa com um cachorro morto ao gabinete da vereadora Deza Guerreiro (PP), no final da manhã de segunda-feira (6), em Novo Hamburgo. O homem, que pede para não ter o nome e a imagem divulgados, afirma que apenas realizou a entrega e que desconhecia completamente o conteúdo da encomenda.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Morador do bairro Canudos e motorista de aplicativo há oito anos, ele conversou com a reportagem de ABCmais nesta terça (7), antes de prestar depoimento na 2ª Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo, que possui um cartório especializado na investigação de crimes contra animais.
“É uma psicopata”: Vereadora diz saber quem é a mulher que enviou cachorro morto em caixa
A corrida foi solicitada por uma mulher do bairro Primavera, que lhe entregou a caixa já lacrada e pediu para que fosse levada até a Câmara de Vereadores. “Eu não sabia o que tinha no conteúdo da caixa e seria uma falta de ética minha abrir uma caixa totalmente selada. Só fiquei sabendo quando a Guarda Municipal veio conversar comigo, isso já no final da tarde de ontem”, afirma.

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
O motorista disse que ficou surpreso e assustado ao ver a imagem da entrega circulando nas redes sociais e que, imediatamente, procurou a Polícia Civil para esclarecer a situação. Por volta das 22 horas de segunda-feira, ele compareceu à Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de Novo Hamburgo, registrou um boletim de ocorrência, colocou-se à disposição das autoridades e repassou todas as informações que possuía sobre a corrida.
Nesta terça-feira (7), ele voltou a ser ouvido, desta vez na 2ª Delegacia de Polícia, onde prestou depoimento formal como testemunha. O motorista relatou o temor de sofrer consequências de estranhos na rua pela forma como as imagens foram divulgadas. “Eu me sinto ofendido e também constrangido. Como a minha imagem está circulando, fico pensando como vou trabalhar sabendo que posso ser reconhecido por alguém e ouvir coisas ou até ser atacado”, pontua.
Ameaça contra vereadora: Vídeo mostra entrega de caixa com cachorro morto na Câmara de Novo Hamburgo
O motorista também disse estar entristecido com a situação e reforçou que vive exclusivamente do trabalho como motorista de aplicativo. “Saio de manhã para trabalhar e volto à noite para trazer o pão para casa. Nunca tinha passado por uma situação dessas em quase oito anos trabalhando”, conta. “Espero que a polícia consiga descobrir quem fez essa crueldade e que essa pessoa seja responsabilizada. Colocaram a minha vida e a de outros motoristas de aplicativo em risco”, completa.
A Polícia Civil segue investigando o caso para identificar a mulher que solicitou a corrida e esclarecer o que a motivou a tomar essa atitude.