Dois dias após perder a melhor amiga em um acidente de trânsito na BR-116 em São Leopoldo, Karen Lohany Weischung Peixoto, 21 anos, se recupera no Hospital São Vicente de Paula, em Cruz Alta. Ela era passageira do Ford Ka que se chocou contra um poste no quilômetro 247 da rodovia.

Foto: Arquivo Pessoal
O acidente aconteceu na manhã do último domingo (15), e o veículo era conduzido por Maria Gersiélen Gomes Medeiros, 25, que morreu na hora. “Estávamos voltando do McDonald’s, eu comendo, e ela entrou numa curva. Cheguei a dizer ‘amiga, reduz que a pista está molhada’, não deu tempo dela escutar.”
Na sequência, a imagem que não sai da cabeça. “O carro girou duas vezes e eu só acordei com o barulho dos Bombeiros e da polícia. Lembro dela [Maria] nos meus pés. Chamei o nome dela e apaguei novamente, acordei no hospital.”
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Karen foi encaminhada para o Hospital Centenário, no entanto, optou por ser transferida para Cruz Alta, onde está perto da família. “O tratamento no Centenário foi horrível. Aqui estou perto dos meus pais e melhor assistida.”
O contato com a reportagem do Grupo Sinos ocorreu via WhatsApp, devido à dificuldade de respirar. “Fraturei quatro costelas, duas vértebras da coluna e tive o pulmão perfurado, que entrou água.”
O acidente
Karen e Maria se conheceram há cerca de 6 meses. As duas eram vizinhas em São Leopoldo. “Morávamos no mesmo condomínio. O meu apartamento ficava ao lado do dela.”
No dia do acidente haviam saído para ver o movimento. “Estávamos voltando para casa. Saímos para comer, ver o movimento e dar uma volta de carro.”
Karen garante que as amigas não ingeriram bebidas alcoólicas. “A Maria era muito responsável com a CNH [Carteira Nacional de Habilitação] dela. Não bebemos.”
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Ela também rechaçou a possibilidade de um racha. “Nenhuma possibilidade. A Maria era muito responsável, viajamos juntas várias vezes. Quando fizemos a curva tinha muita água e ela [Maria] se perdeu.” Questionada sobre a velocidade, Karen diz que o automóvel trafegava entre 80 km/h e 90 km/h.
Uma análise preliminar da Polícia Civil nas imagens gravadas por câmeras de seguranças dão conta que o veículo teria aquaplanado após a curva da saída da Avenida João Corrêa. Na sequência, rodopiou e bateu no poste, sobre a calçada.
“O alerta que eu deixo é: nunca achamos que vai acontecer com a gente, sempre achamos que sabemos dirigir, que tudo está bem. Mas tudo acontece em questão de segundos. Estamos aqui e logo não estamos mais”, reflete Karen.
“Maria era uma pessoa mágica”
Sobre a amizade das duas, Karen diz que elas estavam planejando uma viagem para o próximo final de semana. “A Maria era uma pessoa mágica. Coração enorme, sempre positiva. ‘Tu’ nunca via ela brava, tentava me ajudar em tudo.”
Além disse, salientou o amor da amiga pelo sol. “Ela amava o sol e se foi em um tempo chuvoso. Eu ainda não acredito que perdi a minha melhor amiga, não aceito.”
Entre os sonhos estava a vontade de empreender juntas. “Ela era fisioterapeuta, estava terminando o curso. Eu trabalho de assistente contábil e estava planejando abrir uma loja de roupas em São Leopoldo. A Maria queria abrir algo junto comigo”, revela.
A amiga deixa um filho de 2 anos. “Falei com a irmã e o ex-marido dela. E agora, não tenho mais minha amiga, o filho não tem mais a mãe”, desabafa Karen, que busca se recuperar não só fisicamente, mas também mentalmente.
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