abc+

CACHOEIRINHA

"Nem imaginava que era esse monstro": Meninas de 8 e 11 anos revelam abuso sexual por medo de que crime se repita com outras crianças

Primeira denúncia foi feita em abril, mas, segundo a família, ninguém havia sido chamado para depor até o fim de novembro

"Nem imaginava que era esse monstro": Meninas de 8 e 11 anos revelam abuso sexual por medo de que crime se repita com outras crianças
Publicado em: 28/11/2025 às 15h:05 Última atualização: 28/11/2025 às 15h:05
Publicidade

*Atenção: esta matéria trata de violência sexual contra crianças e pode ser sensível para algumas pessoas.

Publicidade

Dois casos de estupro de vulnerável cometidos por um mesmo homem são investigados em Cachoeirinha. Os abusos, que envolveram duas meninas com vínculo familiar com o suspeito de 52 anos, teriam ocorrido há cerca de três anos, mas só agora foram revelados pelas vítimas de 8 e 11 anos.

Ao relatarem o caso, elas afirmam que decidiram falar por medo de que a situação se repetisse com outras crianças — já que agora o suspeito é avô.

CLIQUE AQUI PARA ENTRAR NA COMUNIDADE DO ABCMAIS NO WHATSAPP

Casos são investigados pela 2ª Delegacia de Polícia de Cachoeirinha | abc+



Casos são investigados pela 2ª Delegacia de Polícia de Cachoeirinha

Foto: Reprodução/Google Maps

A primeira denúncia foi registrada na Polícia Civil em abril deste ano. Esta vítima, hoje com 11 anos, contou para a família que o padrinho teria a estuprado entre os 5 e 8 anos.

Publicidade

Na época, além de vizinho, ele era casado com uma tia da criança, o que contribuía para uma relação de confiança. “A gente nem imaginava que ele era esse monstro, nunca demonstrou nada, longe de qualquer suspeita”, ressalta.

LEIA MAIS: Avô que estuprava neta desde os 6 anos é desmascarado após palestra na escola

O agressor se aproveitava dos dias em que buscava a menina da escola para abusá-la enquanto os pais trabalhavam. Depois do crime, a ameaçava. “Dizia que a dinda dela ia morrer, que meu marido [pai da criança] ia bater nele e ia ser preso, então nunca mais ia ver o pai. Essas coisas que criança tem medo”, conta a mãe.

Publicidade

Mesmo agora, as chantagens ainda a abalavam: “Ela [filha] fez meu marido prometer que não ia bater nele porque ela ‘tava’ com muito medo do pai ser preso”.

Assim que a criança revelou aos pais que havia sido vítima de agressões sexuais, o homem foi confrontado. Ele negou, mas fugiu e não foi mais visto pela família desde então.

Publicidade

Segunda denúncia

Depois de ser exposto pela vítima, o suspeito mudou de residência, mas se manteve em Cachoeirinha. Há algumas semanas, ele foi flagrado assistindo a vídeos pornôs ao lado das netas e de outra criança, todas com menos de 5 anos. 

Quando o episódio aconteceu, uma sobrinha-neta do homem, de 8 anos, teve uma crise de ansiedade e foi parar no hospital. Mais tarde, ela decidiu revelar para a família que havia sido abusada.

CLIQUE AQUI PARA RECEBER NOSSA NEWSLETTER

Publicidade

Segundo o relato da menina, os estupros aconteceram quando ela tinha entre 5 e 6 anos. Na época, ele morava nos fundos da casa da avó dela.

“Ela disse que toda vez que a avó saía, ele levava ela ou para o quartinho ou para o banheiro. Perguntamos a ela quantas vezes, contando nos dedos, ela lembrava que tinha acontecido”, relatou a tia da menina. Apesar de não conseguir enumerar, a criança afirmou que as agressões sexuais ocorreram “várias vezes”.

Publicidade

VEJA TAMBÉM: Identificado o homem encontrado morto em Estância Velha; hipótese de homicídio não é descartada

Quando a segunda denúncia foi feita, o homem fugiu mais uma vez, sem levar pertences, nem mesmo roupas. Os parentes suspeitam que ele possa ter ido para uma cidade do Vale do Taquari, onde também possui familiares. 

Publicidade

Nas redes sociais, as famílias — que só passaram a se conhecer após o último caso vir à tona— vêm compartilhando fotos do homem na tentativa de descobrir o paradeiro dele. As publicações, porém, têm sido respondidas com mais revelações: outras mulheres afirmam já terem sido vítimas de assédio e abuso sexual cometidos por ele.

A reportagem não revelará as identidades para preservar as vítimas em função do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Investigação

A Polícia Civil foi procurada pela reportagem, mas não retornou até a publicação desta matéria. O caso é investigado pela 2ª Delegacia de Polícia de Cachoeirinha.

Segundo a família que registrou a denúncia em abril, ninguém havia sido chamado para depor até o fim de novembro. Até a tarde desta sexta-feira (28), não havia informações sobre o paradeiro do abusador.

Denúncias

Situações de suspeita ou confirmação de violência sexual contra crianças e adolescentes devem ser denunciadas ao Disque 100, à Brigada Militar (190) ou ao Conselho Tutelar do município. As denúncias podem ser anônimas.

Publicidade