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CONCLUSÃO

O que aponta laudo do IGP sobre causa da morte de gêmeas em Igrejinha

Meninas de 6 anos morreram em um intervalo de oito dias em outubro do ano passado; suspeita era que mãe havia envenenado as crianças

O que aponta laudo do IGP sobre causa da morte de gêmeas em Igrejinha
Publicado em: 06/02/2025 às 14h:21 Última atualização: 06/02/2025 às 16h:30
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O Instituto-Geral de Perícias (IGP) concluiu a análise nos corpos de Antonia e Manuela Pereira, as gêmeas de 6 anos que morreram em um intervalo de oito dias, apresentando sintomas semelhantes, em outubro do ano passado. A mãe delas, Gisele Beatriz Dias, é acusada de duplo homicídio e está presa preventivamente.

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Gêmeas de 6 anos morrem com intervalo de oito dias após parada cardiorrespiratória | abc+



Gêmeas de 6 anos morrem com intervalo de oito dias após parada cardiorrespiratória

Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

A investigação suspeitava que as irmãs teriam sido envenenadas. No entanto, segundo confirmação do delegado Ivanir Caliari, que conduziu o inquérito policial que indiciou Gisele, o laudo aponta que não foi possível detectar a substância que causou as mortes. Foram testados cerca de 350 materiais, incluindo venenos e medicações, e todas as análises laboratoriais deram negativo.

A necrópsia, contudo, revelou que as mortes foram provocadas por um processo de asfixia, mas a forma como aconteceu não pôde ser especificada. “Os achados são inespecíficos para caracterizar uma asfixia mecânica, condição que ocorre quando a respiração é impedida por uma ação física, tal como na obstrução dos orifícios respiratórios, no estrangulamento, na esganadura ou na compressão torácica, dentre outros”, afirma o IGP.

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Não foram encontrados sinais de violência física e sexual, nem indícios de luta corporal ou no ambiente onde as gêmeas foram encontradas. Nos dispositivos analisados, também não foram localizadas evidências digitais que pudessem estar relacionadas ao caso, nem mesmo palavras-chave associadas a envenenamento, asfixia, intoxicações, entre outras. 

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“A perícia não encontrou elementos materiais que comprovassem que se tratou de uma morte violenta ocorrida no local. Apesar disso, não é possível descartar completamente a hipótese de uma morte violenta por substâncias não detectáveis ou causas naturais sem vestígios visíveis”, conclui o órgão.

MP afirma que “mantém a mesma convicção”

Em janeiro, a 1ª Vara Judicial de Igrejinha aceitou a denúncia do Ministério Público (MP) contra a mãe das meninas e a tornou ré. Nesta quinta-feira (6), o MP disse, em nota, que “mantém a mesma convicção” sobre a autoria dos assassinatos.

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“As razões de fato e de direito constam perfeitamente explicitadas na denúncia, que contém uma série de elementos veemente e fortemente comprobatórios das mortes violentas, dolosa e intencionalmente provocadas. Para o MPRS não há dúvidas da prática criminosa”, alega o órgão.

O que diz a defesa

José Paulo Schneider, advogado de Gisele, afirma que os resultados do IGP apontam que “não há qualquer elemento científico que comprove a hipótese de morte por envenenamento ou intoxicação”. 

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Abaixo, leia na íntegra a nota da defesa de Gisele:

“A defesa técnica da acusada, por ocasião da juntada dos laudos realizados pelo IGP, vem a público manifestar o que segue:

Os diversos laudos juntados pelo IGP confirmam aquilo que a defesa tem dito desde o início: não há qualquer elemento científico que comprove a hipótese de morte por envenenamento ou intoxicação.

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Que fique claro, os laudos do IGP afastam essa hipótese.

Foram testadas centenas de substâncias e absolutamente nada foi encontrado no sangue das meninas. Ou seja, elas não foram envenenadas e tampouco intoxicadas.

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Todavia, o MP segue afirmando que as meninas foram intoxicadas ou envenenadas. O que o MP está fazendo é brigar com a ciência.

Em relação a Antônia, aliás, a necropsia, anexada só agora, afasta a morte por hemorragia pulmonar e não descarta que tenha sido decorrente de causas naturais. Trata-se de uma prova técnica que rechaça completamente a absurda afirmação contida na denúncia do MP de que as causas das mortes da Manuela e da Antônia foram em circunstâncias idênticas.

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Insiste-se a necropsia da Antônia afasta completamente a narrativa acusatória. E, mesmo assim, a minha cliente está presa, sem qualquer prova de que as meninas tenha sido assassinadas.

Passou da hora de os agentes públicos tratarem o caso com responsabilidade e aplicarem a lei.

Sem prova do envenenamento, com uma necropsia que não afasta causas naturais, o processo deve ser trancado e a minha cliente imediatamente solta.

Além disso, é fundamental que o delegado de polícia explique por qual razão indiciou minha cliente e enviou o inquérito à justiça sem a necropsia da Antônia, que foi feita ainda no dia da morte.

Esse documento, que afasta por completo as teses esdrúxulas defendidas por ele e pelo promotor de justiça, está pronto desde o dia da morte e foi juntado só agora. Por quê?

Consigna-se, por fim, que está na hora de a lei, a ciência e a medicina serem levadas a sério. Esta defesa não medirá esforços para que isso ocorra e que as eventuais arbitrariedades e ilegalidades cometidas contra Gisele sejam apuradas e responsabilizadas.”

O caso

Moradoras de Igrejinha, Manuela e Antônia Pereira, de 6 anos, morreram em um intervalo de oito dias, entre 7 e 15 de outubro do ano passado, com sintomas similares. A mãe foi presa ainda no dia 15 de outubro, na época ainda suspeita de ter cometido os crimes.

A autópsia de Manuela, que morreu primeiro, apontou “hemorragia pulmonar penetrando nos espaços aéreos com insuficiência respiratória, com um afogamento atípico por sangue, indicando como causa da morte ‘insuficiência respiratória’ e hemorragia pulmonar”, causada por meio cruel (asfixia).

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Já a ficha de atendimento ambulatorial de Antônia indicava “pupilas fixas, sangramento efusivo pela traqueia por suspeita de intoxicação por veneno de rato, causada por meio cruel (asfixia)”.

A suspeita, até então, era de que elas tivessem sido envenenadas, mas os resultados das análises do IGP não apontaram presença de alguma substância no corpo delas.

A Justiça aceitou a denúncia contra Gisele Beatriz Dias, por duplo feminicídio, no último dia 16 de janeiro.

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