O advogado que defende o médico veterinário preso por maus-tratos a animais após uma ação policial localizar 61 cães e gatos em condições deploráveis em um imóvel no bairro Canudos, em Novo Hamburgo, reclama de não ter tido acesso ao teor do mandado de busca e apreensão que resultou na prisão do cliente no último sábado (18).
Neste domingo (19), o advogado Omar Dupont se manifestou sobre o caso afirmando que nem ele, na condição de defensor, nem o próprio cliente tiveram acesso ao conteúdo do mandado. Segundo Dupont, por ora, não haverá manifestação sobre o mérito da operação.
ENTRE NA COMUNIDADE DO JORNAL NH NO WHATSAPP

Foto: Patram
“Não tivemos, eu e meu constituinte, sequer acesso ao procedimento que autorizou o ingresso no domicílio deste”, pontua. Dupont entende que enquanto não tiver acesso, a decisão não é “salutar comentar, contestar ou expor detalhes acerca [da ação]”.
Conforme o advogado, assim que tiver acesso aos documentos do processo poderá se manifestar, mas que isso dependerá da vontade do cliente. “Oportunamente, a critério então de meu cliente, alguma impressão ou opinião precisa sobre o assunto poderá ser divulgada”, disse.
A prisão ocorreu durante uma ação conjunta da Patrulha Ambiental da Brigada Militar (Patram), de um oficial de justiça e voluntários ligados à causa animal. O grupo cumpriu um mandato de busca e apreensão determinado pela Justiça.
ENTRE NO NOSSO CANAL NO WHATSAPP
No endereço funcionava um criadouro mantido pelo veterinário, onde foram encontrados 45 cães de raças como shih tzu, buldogue francês e spitz alemão, e 16 gatos persas, mantidos em condições degradantes.
De acordo com o registro feito pela Patram, os animais viviam confinados em espaços reduzidos, entre fezes e urina, sem ventilação adequada e com infestação de insetos. Muitos estavam doentes, cegos ou com tumores. Uma médica veterinária acompanhou a ação e elaborou um parecer técnico confirmando o estado de sofrimento e negligência, apontando a falta de higiene e a omissão de cuidados básicos.
No interior do imóvel, também foram encontrados medicamentos veterinários vencidos, configurando irregularidade sanitária.
Polícia Civil diz que não pode falar nada sobre caso
Após o registro do flagrante, que aconteceu na Central de Polícia de Novo Hamburgo, o inquérito foi remetido à 2ª Delegacia de Polícia, que ficará responsável pela investigação do veterinário e eventuais outros crimes que ele possa ter cometido.
Na tarde deste domingo (19), a delegada Marina Goltz informou que não pode dar nenhuma informação. “O processo está sob sigilo judicial, não posso me manifestar sobre o fato”, sublinha. A delegada sequer confirmou se o veterinário seguia preso ou havia recebido a liberdade provisória.
O advogado de defesa do indiciado também não quis informar sobre a situação do cliente. A reportagem apurou, contudo, que o veterinário seguia recolhido no Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Penitenciário (Nugesp), em Porto Alegre, um presídio temporário para onde todos os presos são encaminhados antes de serem levados a alguma outra cadeia do Estado.
O veterinário teria passado pela audiência de custódia relativa à prisão na tarde deste domingo.