Em mais uma operação paliativa contra a maior facção do Estado, sediada no Vale do Sinos, a segurança pública prendeu, na manhã desta segunda-feira (17), dez suspeitos de planejar a morte de membros do Judiciário, Ministério Público e Polícia Civil. Novo Hamburgo foi o principal foco dos mandados. Não é a primeira vez que criminosos são investigados na região por suposta intenção de atacar autoridades.
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O caos carcerário, em que detentos têm livre acesso a celulares, por exemplo, é considerado uma das principais causas.

Foto: Polícia Civil
A descoberta teria ocorrido por acaso, durante apuração de movimentações do narcotráfico. Na quebra de sigilos telefônicos, agentes viram e ouviram mensagens de criminosos que transmitem um misto de mostrar valentia, com desabafos e ameaças em tom de represálias.
“Se eu descobrisse onde era a casa do juiz. Olha, eu ia acampar para matar ele. De tanto ódio que eu tô. Esse delegado é a mesma coisa, não tô nem aí. Falo mesmo, porque se vier para cima de mim, ou eles me matam ou eu mato eles”, é um dos áudios que fundamentaram a chamada Operação Sentinela.
R$ 3 milhões
Não foram informados os locais exatos dos mandados, nem nomes dos suspeitos. Pelo menos uma ordem judicial cumprida em Novo Hamburgo foi no bairro Rondônia. Conforme a Polícia, houve sete bloqueios de contas bancárias, no total de R$ 3 milhões, e apreensão de sete veículos. Não são revelados em quais cidades atuam os juízes, promotores e delegados que seriam alvo de ataques.
“Nos deparamos com menções à integridade física de autoridades públicas: delegados, promotores e magistrados. Inclusive com plano já em andamento para ceifar a vida de uma autoridade”, declarou o diretor geral do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), delegado Carlos Wendt, durante coletiva à imprensa logo após o cumprimento dos mandados.
Segundo a Polícia, há provas concretas
De acordo com a Polícia, as provas de um plano de ataque seriam concretas. “Detectamos que esses indivíduos, integrantes dessa organização criminosa, realizaram pesquisas em fonte aberta com fotografia de uma autoridade pública e chegaram a mencionar que já tinham descoberto o endereço e que iam pagar tantos mil reais [pelo assassinato]”, declarou o delegado Rafael Liedtke.
Os principais alvos da operação são gerentes da facção ligados a chefes presos. “Foi passado um recado à altura às facções que ousarem, de alguma forma, ameaçarem autoridades públicas aqui no Estado do Rio Grande do Sul. Hoje, foram presos pai e filho. Além de presos, ambos foram encaminhados, a pedido da Polícia Civil, à Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) e não só ao módulo de alta segurança, como principalmente ao regime disciplinar diferenciado, onde lá ficarão por um prazo inicial de 90 dias.”
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Segundo ele, pelo menos três dos alvos foram enviados ao módulo especial. Dois deles já se encontravam presos em outra penitenciária de Charqueadas. “Indivíduos esses de alta periculosidade, integrantes dessa organização criminosa com origem no Vale do Sinos, e bastante conhecidos da Polícia Civil Gaúcha. Há décadas praticando crimes de homicídio qualificado, tráfico de droga, roubo majorado pelo emprego de arma de fogo.”
Lavagem de dinheiro com veículos de luxo
Conforme o delegado Adriano Nonnenmacher, o esquema de lavagem de dinheiro era sofisticado. Ele explica que os recursos eram pulverizados, como em todos os casos. “Era efetivada a compra de veículos de luxo e inseridos esses ativos em pessoas jurídicas.”
A organização praticava a lavagem de capitais no sistema financeiro, bem como inserção de ativos ilícitos na economia formal através da compra de veículos e colocação no sistema financeiro.
As movimentações no sistema bancário eram mediante dissimulações estruturadas, pulverizações, “smurfings”, fracionamentos, triangulações, uso de contas de terceiros e contas de passagem, bem como uso de pessoas jurídicas.
Além disso, o grupo planejava atentado contra autoridades públicas do estado.
Ordens do sistema prisional
O cerne do problema, como em outras operações, é o sucateamento do sistema prisional, com o controle de galerias feito por chefes de facções. Foi por conversas descobertas entre detentos e “soldados” do meio externo que a Polícia descobriu, em 2018, plano da mesma facção para matar um juiz e policiais do Vale do Sinos.
Os acusados têm acusações por tráfico de drogas e homicídios, como mandantes e executores.