O guru espiritual Adir Aliatti, de 70 anos, e dois filhos foram indiciados nesta quinta-feira (9). O idoso era líder da comunidade Osho Rachana no bairro Cantagalo, limite entre Viamão e Porto Alegre.
Os 12 crimes apontados no relatório da primeira fase da Operação Namastê, deflagrada pela Polícia Civil no fim do ano passado, são: associação criminosa, tortura psicológica, estelionato, redução à condição análoga à de escravo, curandeirismo, charlatanismo, crime contra a economia popular, violência sexual mediante fraude, exposição de crianças a constrangimento, falsificação de produto terapêutico, injúria racial e discriminação por orientação sexual.
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Foto: Polícia Civil
Conforme a delegada Jeiselaure de Souza, que conduziu a investigação, são diversos os indícios da autoria dos crimes. Além de ações criminosas que envolviam a captação de recursos financeiros de fiéis e simpatizantes, sob falsas promessas de cura espiritual e prosperidade, havia a prática de métodos terapêuticos não reconhecidos que poderiam afetar a saúde física e mental dos envolvidos.
A Polícia ainda identificou práticas de isolamento social forçado, inclusive de menores, e atos que configuram tortura física e psicológica. No decorrer dos meses de investigação, ficou comprovado o uso de pseudoterapias ilegais, como ozonioterapia retal, e a realização de rituais de “cura gay”, considerados formas de tortura e discriminação. “O inquérito demonstra um padrão de manipulação psicológica e abuso de poder espiritual, no qual os líderes exploravam emocional, sexual e financeiramente dezenas de pessoas vulneráveis, muitas delas com sequelas permanentes”, destacou a delegada.
As provas reunidas contra Aliatti e os dois filhos demonstram, para Jeiselaure, a atuação sistemática de um grupo organizado que se valia de autoridade exercida na comunidade para dominar, coagir e explorar emocional e financeiramente dezenas de pessoas vulneráveis. Acredita-se que a família tenha desviado recursos estimados em milhões de reais, obtidos por meio de cursos, imersões e “doações forçadas”, com utilização dos valores em bens pessoais, viagens e imóveis.
A investigação iniciou a partir de denúncias de ex-integrantes da comunidade, que revelaram práticas sistemáticas de tortura psicológica, exploração econômica, manipulação emocional e violência simbólica, realizadas sob o disfarce de rituais espirituais e terapêuticos. Segundo o inquérito, os adeptos eram submetidos a rituais coercitivos, isolamento social, humilhações públicas e trabalhos forçados, além de terem sido vítimas de violência sexual mediante fraude e golpes financeiros.
A Polícia garante que os desdobramentos da Operação Namastê seguirão sendo investigados.