Canoas avança em direção a garantir 2025 com um novo recorde na segurança pública: o menor índice de homicídios da história.
De janeiro a setembro, conforme apontamento da Secretaria Estadual de Segurança Pública, foram anotadas 26 vítimas de homicídios.

Foto: Paulo Pires/GES
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O número anotado representa uma redução de 40% no comparativo com o mesmo período do ano passado, quando ocorreram 44 mortes.
Os indicadores colocam Canoas, nos últimos nove meses, em uma posição até então não ocupada de cidade segura, perante a baliza que mede a violência no Brasil e no mundo.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera epidêmicas taxas superiores a 10 homicídios para cada 100 mil habitantes.
Canoas – que possui uma população estimada em 347 mil habitantes, conforme o Censo 2022 do IBGE – garantiria uma posição privilegiada, caso conclua o ano com “somente” 30 crimes.
É um número almejado pelas polícias desde 2019, no entanto, ele nunca chegou tão próximo da realidade quanto em 2025.
Na avaliação do comandante do 15º Batalhão da Polícia Militar (BPM), a evolução se deu por meio de um trabalho contínuo com foco na redução da criminalidade.
“Estamos quase dentro do padrão da ONU”, ressalta o tenente-coronel Clóvis Ivan Alves. “Isso é reflexo da continuidade do trabalho, integração entre órgãos de segurança e engajamento no combate ao crime”.
Estratégia
A média é de 2,8 assassinatos por mês. Durante o mês de setembro, houve dois homicídios dolosos, de modo que um dos crimes registrados trata-se de uma morte no trânsito.
Conforme o comandante da BM, o reforço no trabalho de inteligência e a disposição estratégica do efetivo em áreas de incidência dos crimes contribuem para a redução.
“Aumentamos as abordagens e barreiras”, defende. “Como consequência, garantimos uma presença maior da Brigada Militar nas comunidades, em pontos estratégicos, obtendo bons números de prisões e apreensões.”

Foto: Polícia Civil
Bom momento
Diretor do Departamento Estadual de Homicídios, o delegado Mario Souza destaca que, desde 2019, a Polícia Civil se empenha para garantir a diminuição da criminalidade em Canoas.
Na avaliação do diretor, a cidade, neste momento, mesmo sem a conclusão do ano, pode ser considerada “segura” dentro dos padrões estabelecidos pela ONU.
“Canoas está, neste momento, dentro do patamar ONU de cidade segura”, ressalta. “É preciso lembrar que Canoas chegou a ter 160 homicídios por ano. Aliás, o número não baixava de 100 mortes até 2019”.
Para o delegado, o trabalho integrado entre a Polícia Civil e Brigada Militar, Polícia Penal e Município, assim como os protocolos criados pelo Departamento para agir com resposta imediata aos crimes, têm obtido resultados.
“Há integração entre as polícias que garante a resolução de casos e as consequentes prisões de autores e mandantes por trás dos crimes”, afirma. “O resultado tem sido muito positivo e trabalhamos para reduzir mais a violência”.
Redução
Nesta semana, a Brigada Militar aproveitou para divulgar um balanço dos números ao longo do último mês. Os números anotados pelo 15º Batalhão da Polícia Militar são positivos.
Além do indicador ligado aos crimes contra a vida, o mês de setembro teve reduções em outros indicadores. Os roubos a pedestres caíram 50%. Forma 32 crimes. Já os roubos a veículos despencaram 43%. Foram oito casos.
Quanto aos furtos, no comparativo com o mês de setembro do ano passado, houve queda no furto de veículo em 50%, com 20 casos nos últimos 30 dias. Já o furto em veículos permanece alto. Foram 46 casos, embora com redução de 46%.
Preocupação
Mesmo com a redução dos crimes, o desaparecimento dos jovens Carolina Oliveira de Lima, de 20 anos, Vítor Juan Santiago, 18, e Pedro Henrique Di Benedetto Rodrigues, 23, após um churrasco, no dia 6 de abril, permanece como uma preocupação para a Polícia Civil.
Embora o triplo homicídio tenha sido esclarecido e os suspeitos do crime levados à cadeia, o paradeiro dos corpos dos três jovens ainda é desconhecido, o que cria faz perdurar o drama de parentes e amigos das vítimas há seis meses.
“Houve várias ações e as buscas continuam”, garante o delegado Mario Souza. “Nós não vamos parar enquanto não colocarmos um ponto final nesta história. O crime está resolvido, mas é preocupação da Polícia Civil que os corpos sejam achados e o caso concluído”, defende.