Um hacker foi preso em Canoas durante operação em âmbito nacional nesta quarta-feira (26). A ação uniu esforços contra uma quadrilha responsável por manipular sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Nesta manhã, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e dois de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul. Em Canoas, o hacker acabou preso por integrar o grupo criminoso.

Foto: POLÍCIA CIVIL/REPRODUÇÃO
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A apuração conduzida pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas revelou um esquema sofisticado que fraudava importantes sistemas nacionais usados pela Justiça brasileira para restrições de veículos, bloqueios financeiros e gerenciamentos de custódia.
Os criminosos atacavam o Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário (Sisbajud), o Sistema Nacional de Restrições Judiciais (Renajud) e o Banco Nacional de Medidas Penais (BNMP).
Por meio dos sistemas, o grupo executava:
- Emissão fraudulenta de contramandados de prisão;
- Desbloqueio ilegal de contas judiciais;
- Remoção de restrições judiciais de veículos;
- Alteração de dados cadastrais junto à Receita Federal;
- Uso indevido de credenciais de magistrados e servidores públicos.
As provas que identificaram os dois alvos capturados nesta quarta-feira foram reunidas pela Polícia Civil gaúcha com o apoio da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Balneário Camboriú.
Segundo a delegada Luciane Bertoletti, os criminosos acabaram enquadrados por invasão de dispositivo informático (artigo 154-A), estelionato (artigo 171) e associação criminosa (artigo 288), previstos no Código Penal.
“Um dos indivíduos detidos em Canoas/RS era responsável pelo reset fraudulento de senhas vinculadas ao sistema gov.br, proporcionando acesso às plataformas violadas e viabilizando os crimes”, explica.
Investigação
Conforme a delegada, desde dezembro de 2024, foram registrados os primeiros casos de ataques cibernéticos utilizando credenciais de magistrados em sistemas do Conselho Nacional de Justiça.
Em maio deste ano, uma ação já havia mirado um alvo em Canoas que havia sido identificado diretamente com a manipulação do Renajud. E, em setembro, um dos hackers líderes do grupo acabou preso no Rio de Janeiro.
Avaliação
Segundo o delegado Cristiano Reschke, diretor do Departamento da Polícia Civil em Canoas, essa operação destaca o avanço integrado no combate ao crime cibernético no País.
“Estamos lidando com uma modalidade criminosa de alto impacto e complexidade, que exige agilidade, cooperação interestadual e o uso de inteligência policial para proteger os sistemas críticos da Justiça brasileira”, disse.
“Esse trabalho é parte integrante da investigação que desenvolvemos e que resultou na Operação Invasor [lançada em outubro], que revelou um esquema sofisticado de fraude envolvendo a retirada indevida de restrição judicial sobre veículo apreendido”, aponta.
“O processo criminal expôs a ousadia de criminosos que se valeram de invasão à conta GOV.BR de uma magistrada federal para burlar o sistema judiciário e movimentar valores expressivos no mercado automotivo.”
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