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SÃO LEOPOLDO

O que falta para a Polícia concluir investigação de morte de bebê após parto no Hospital Centenário; médicas foram afastadas

Menina faleceu no dia 9 de abril, um dia depois do nascimento no Hospital Centenário

Publicado em: 12/06/2025 às 10h:00 Última atualização: 12/06/2025 às 10h:27
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O caso da morte de uma recém-nascida no último mês de abril segue sendo investigado pela Polícia Civil, em São Leopoldo. A criança, uma menina, faleceu no dia 9 daquele mês, no Hospital Conceição, em Porto Alegre, para onde foi levada após complicações no parto, realizado no Hospital Centenário. Duas médicas obstetras, que eram terceirizadas do HC foram afastadas e seguem sem atuar na casa de saúde leopoldense.

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Bebê faleceu no dia 9 de abril, um dia depois do nascimento no Hospital Centenário



Bebê faleceu no dia 9 de abril, um dia depois do nascimento no Hospital Centenário

Foto: Arquivo

Já a Polícia Civil apura se houve negligência no caso. De acordo com o titular da 2ª Delegacia de Polícia da cidade, o delegado André Serrão, a mãe e o pai da bebê e um outro médico emergencista já foram ouvidos. “As médicas não prestaram depoimentos ainda. Pediram para ser ouvidas por último”, esclareceu Serrão na manhã desta quinta-feira (12).

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Conforme Serrão, o prazo para a conclusão do inquérito é de 30 dias, prorrogáveis por igual período, ou seja, ainda em junho. No dia 15 de abril, a direção do HC havia informado que teria aberto uma sindicância e adotado medidas administrativas para apurar as circunstâncias e esclarecer o que resultou na morte da recém-nascida.

Questionada sobre o andamento da sindicância, a assessoria de imprensa do HC esclareceu que os “profissionais envolvidos são de empresa terceirizada e a sindicância ocorre quando são servidores”. “Por isso, o caso ocorre através da colaboração e investigação conjunta com a Polícia Civil”, informa a assessoria.

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A mãe teria entrado em trabalho de parto no dia 8 de abril, no Hospital Centenário, e a bebê, que teria nascido com mais de 5 quilos, foi transferida na mesma data para Hospital Conceição, na capital, onde morreu no dia seguinte. A criança foi sepultada em Novo Hamburgo. A mãe do bebê, que ficou por alguns dias na UTI do hospital leopoldense, teve alta hospitalar dia 15. Em nota, divulgada também no dia 15 de abril, o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) manifestou solidariedade à família e prestou alguns esclarecimentos.

“Do ponto de vista técnico, é fundamental esclarecer que a distocia de ombro — complicação obstétrica que ocorreu neste caso — é classificada, segundo as diretrizes da FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), como um evento imprevisível e não prevenível, mesmo quando há fatores de risco, como a diabetes gestacional e macrossomia fetal”, informa o texto. “Não existem exames de imagem ou métodos clínicos capazes de prever a ocorrência do problema registrado com precisão, tampouco não há como impedir completamente sua manifestação”, completa.

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A nota destaca, ainda, que “o fato traz a tona uma discussão por vezes deixada de lado: a importância essencial do pré-natal bem-feito e de uma rede de atendimento estruturada”.

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“A gestante apresentava histórico de risco e, mesmo assim, o atendimento prestado a ela não foi completo. Em alguns casos, ela sequer foi atendida por médicos ao comparecer às consultas agendadas”, chama a atenção o sindicato. Outro fato que chama a atenção no caso, conforme o Simers, é a ausência de controle glicêmico adequado e a não realização completa de exames de imagem essenciais durante a gestação.

“A assistência materno-infantil é um processo que se inicia no pré-natal e depende de estrutura adequada, equipe multiprofissional qualificada e protocolos bem definidos, que garantam segurança à mãe e ao bebê. A ausência dessas condições expõe uma falha grave e sistêmica na rede de atenção à saúde do município de São Leopoldo, que precisa ter seu processo e estrutura de atendimento revistos”, conclui a nota.

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