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ABC NAS RUAS

Por que o golpe dos nudes e outros crimes virtuais têm ganhado espaço nas investigações policiais

Nesta sexta-feira (10), operação policial cumpriu mandados de busca na casa de 15 golpistas do Vale do Sinos

Isaías Rheinheimer
Publicado em: 10/04/2026 às 13h:25 Última atualização: 10/04/2026 às 13h:26
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O avanço de crimes virtuais, como o chamado golpe dos nudes, tem preocupado as autoridades e passado a ocupar cada vez mais espaço nas investigações policiais. De acordo com o delegado Ayrton Martins, titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de São Leopoldo, esse movimento está diretamente ligado à estratégia adotada por organizações criminosas.

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Segundo ele, há um entendimento de que esses delitos oferecem menos riscos aos criminosos e podem gerar recursos de forma rápida. “Há uma inversão de esforços por parte das organizações criminosas para a prática de delitos virtuais, principalmente para fins de financiamento, de uma forma fácil”, afirma.

Polícia apresentou prints de conversas via WhatsApp entre golpistas e vítimas de extorsão  | abc+



Polícia apresentou prints de conversas via WhatsApp entre golpistas e vítimas de extorsão

Foto: Polícia Civil

O delegado destaca que esse tipo de crime apresenta um cenário de maior dificuldade para responsabilização dos envolvidos. “São crimes de grande impunidade e de difícil comprovação, pois dependem exclusivamente de investigação. Além disso, muitas vítimas acabam não procurando a polícia”, explica.

Nesse contexto, o delegado chama atenção para a subnotificação. “De cada 100 casos, dois ou três chegam ao conhecimento das autoridades.”

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Outro ponto levantado por Martins é que, embora esses crimes não sejam necessariamente o foco principal das organizações, eles cumprem um papel importante dentro da estrutura criminosa.

“Esses valores acabam sendo utilizados para custear despesas e manter a engrenagem funcionando, permitindo que a organização se dedique a crimes mais complexos, como é o caso do roubo a banco, do tráfico de drogas e até do tráfico de pessoas”, ressalta.

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Ainda conforme o delegado, essa mudança de comportamento também reflete uma transformação no próprio perfil da criminalidade. “Hoje, muitos criminosos atuam de casa ou até mesmo de dentro de presídios, o que demonstra uma adaptação às novas tecnologias e uma forma de reduzir a exposição”, pontua.

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Operação no Vale do Sinos

A análise do delegado foi feita após a operação, realizada nesta sexta-feira (10), que teve como alvo uma quadrilha do Vale do Sinos especializada no golpe dos nudes.

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Ao todo, 15 mandados de busca e apreensão são cumpridos nas cidades de São Leopoldo, Novo Hamburgo, Esteio e São José do Sul. A maioria dos investigados reside em São Leopoldo e Novo Hamburgo e possui vínculos familiares, atuando de forma organizada no esquema.

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A investigação teve início no Distrito Federal, por meio da FICCO (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado), que identificou a atuação do grupo e o uso indevido de dados de um delegado da Polícia Federal para intimidar vítimas.

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O caso foi encaminhado à Justiça Federal, que declinou a competência para a Justiça do Rio Grande do Sul. A partir disso, a apuração passou a ser conduzida pela Draco de São Leopoldo, que deu continuidade às investigações e identificou a atuação da quadrilha na região.

As apurações seguem para identificar todos os envolvidos e aprofundar a dimensão da atuação do grupo criminoso.

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