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CAOS CARCERÁRIO

Presos faziam pesquisas sofisticadas para extorquir clientes de motéis na Grande Porto Alegre

Polícia deve apurar como detentos de alta periculosidade, de dentro da cela, conseguiam descobrir até o telefone atualizado de cada vítima

Publicado em: 26/08/2025 às 20h:40 Última atualização: 26/08/2025 às 20h:40
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Homicidas, assaltantes e traficantes recolhidos em presídios de Charqueadas criaram uma forma de lucrar com a infidelidade sexual. O grupo filmava a movimentação em motéis na região metropolitana de Porto Alegre e descobria frequentadores que estavam traindo para extorqui-los

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Cabia a uma mulher de 27 anos, sem antecedentes criminais, fazer as imagens. Ela chegava a se hospedar nos motéis. Gravava de dentro e na saída. Escolhia carros de alto padrão.

Agentes cumpriram mandados de prisão contra presos | abc+



Agentes cumpriram mandados de prisão contra presos

Foto: Polícia Civil

O golpe foi inaugurado em maio deste ano. Até o momento, conforme a Polícia Civil, dez vítimas fizeram boletim de ocorrência. Eram coagidas a fazer transferências bancárias para a traição não ser delatada ao companheiro ou companheira. Algumas delas pagaram, via Pix, assim como possivelmente várias outras que preferiram não ir à Polícia.

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Como na maioria das operações do crime organizado, a quadrilha contou com a precariedade do sistema prisional para o engenhoso golpe. Apontado pelas investigações como “coordenador técnico” do esquema, um apenado de 32 anos recebia as fotos e vídeos da comparsa e fazia a pesquisa dos dados dos veículos.

Pesquisa do apenado começava pela placa

Na cela, com todos os aparelhos eletrônicos necessários à disposição, o preso identificava as pessoas que tinham ido aos motéis. Pelas placas, chegava aos proprietários. Em consulta complementar, fazia a triagem de quem estaria traindo. Conseguia até o número do telefone atualizado dos alvos da extorsão.

A Polícia não detalhou como os dados eram obtidos. Seria em sites que vendem informações pessoais de quem quer que seja, de forma ilegal, e também por simples bisbilhotagem nas redes sociais das vítimas e familiares. A possibilidade de apoio de hackers e navegação na dark web — camada mais profunda e não rastreável da internet — deve ser apurada.

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Em outro presídio de Charqueadas, três detentos de uma mesma cela auxiliavam nas extorsões, também com todo aparato tecnológico. Eles e o “coordenador técnico” são considerados de alta periculosidade, com históricos de assassinatos, comércio de drogas, extorsão, porte ilegal de arma e roubos de toda ordem.

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Criminosos se passavam por detetives particulares

Os criminosos se passavam por detetives particulares. Entravam em contato com as vítimas por WhatsApp, enviavam as imagens e diziam que tinham sido contratados pelos cônjuges delas para investigar traição. Ameaçavam expor as fotos e vídeos aos familiares. Negociavam o silêncio por pedidas que partiam de R$ 15 mil.

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O grupo foi desarticulado na manhã desta terça-feira pela Operação Segredo de Alcova. Os agentes prenderam a mulher, definida como “operadora externa”, na casa dela em Eldorado do Sul. Nos presídios foram cumpridos mandados de prisão preventiva contra os quatro detentos.

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"Operadora externa" do bando foi presa em casa ontem | abc+



“Operadora externa” do bando foi presa em casa ontem

Foto: Polícia Civil

Os telefones celulares e documentos apreendidos podem levar a Polícia a outros integrantes do grupo. As cidades de todos os motéis usados pelo bando não foram informadas. Apenas que três ficam em Porto Alegre.

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