Uma quadrilha que ameaçava empresários do Vale do Sinos e de diversas outras regiões do Estado com ataques a seus estabelecimentos — exigindo o pagamento de R$ 500 para “iniciar um diálogo” e evitar o incêndio dos locais — foi alvo da Operação Sem Fronteiras – Fase 1, desencadeada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de São Leopoldo nesta quarta-feira (30).

Foto: Polícia Civil
A investigação teve início após a denúncia de um empresário de Portão, alvo de extorsão pelo grupo. Ao longo do inquérito, a Draco mapeou vítimas em ao menos dez municípios do Rio Grande do Sul, incluindo Sapiranga, São Leopoldo, Ivoti, Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Progresso, Júlio de Castilhos, Soledade e Porto Alegre, além de outras cidades da Serra e do interior.

Foto: Polícia Civil
CONFIRA: BR-386: Quatro pessoas morrem em acidente na rodovia
De acordo com a Polícia, os criminosos se apresentavam como membros de facções conhecidas no RS, como Os Manos e Bala na Cara, e afirmavam ter recebido R$ 8 mil para incendiar o comércio da vítima. Na sequência, propunham um “acordo”: mediante um pagamento via Pix de R$ 500, as negociações poderiam começar para evitar o suposto ataque.
“Trata-se de uma investigação contra o crime organizado que se caracteriza por grupos de indivíduos já recolhidos no sistema prisional ou recentemente em liberdade. Utilizando o nome de facções criminosas, eles passaram a ligar para empresários de todo o Vale do Sinos e de outras regiões do Estado, exigindo valores sob pena de atearem fogo nas empresas”, explica o delegado Ayrton Figueiredo Martins Júnior, titular da Draco de São Leopoldo.
CLIQUE AQUI PARA ENTRAR NA COMUNIDADE DO ABCMAIS NO WHATSAPP
A operação mobilizou agentes da Draco São Leopoldo, com o apoio da Polícia Penal e das delegacias regionais de Montenegro e Rio Grande. Foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva, 15 mandados de busca e apreensão e bloqueios judiciais de contas bancárias ligadas aos investigados. Cerca de R$ 10 mil foram bloqueados das contas de dois investigados. As ordens judiciais — de prisão, buscas e bloqueio de valores — partiram do juiz da Comarca de Portão.

Foto: Polícia Civil
Os mandados foram executados principalmente em Rio Grande — onde parte dos criminosos está recolhida na Penitenciária Estadual (PERG) — e em Montenegro, onde outro investigado está preso.
“Todos os autores estão vinculados ao sistema prisional. São indivíduos com histórico de roubos, extorsões e outros crimes. Alguns estão presos há bastante tempo, outros estavam em liberdade recentemente”, detalha o delegado.

Foto: Polícia Civil
LEIA TAMBÉM: Ação contra golpe dos nudes e venda de drogas sintéticas prende suspeitos no Vale do Sinos
Até as 8h30, a Polícia Civil havia efetivado a prisão preventiva de dois dos alvos. Ainda durante o cumprimento dos mandados de busca, em Rio Grande, realizou a prisão em flagrante de outro indivíduo por tráfico de drogas. Com o suspeito, foi apreendida grande quantidade de entorpecentes, além de balança de precisão e dinheiro.
Também foram apreendidos inúmeros aparelhos celulares e grande quantidade de drogas pela Polícia Penal nos presídios de Rio Grande e Montenegro, durante o cumprimento de buscas nas celas em que integrantes do grupo estavam presos.
A Operação Sem Fronteiras tem apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública e faz parte de uma ação nacional contra o crime organizado.