Uma quadrilha especializada em furto de caminhões é alvo da Polícia Civil nesta quinta-feira (11). Vinte pessoas foram presas na Operação Truck Hunters.

Foto: Polícia Civil
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“O nível de sofisticação, a capacidade de causar danos econômicos e o terror psicológico imposto às vítimas tornaram esta investigação uma prioridade absoluta para nossa especializada”, destaca o delegado Gabriel Lourenço.
Foram cumpridas 78 ordens judiciais, sendo 28 mandados de prisão preventiva e 50 mandados de busca e apreensão. Foram apreendidas armas, caminhão e drogas. Os mandados foram cumpridos nas cidades de São Leopoldo, Novo Hamburgo, Viamão, Gravataí, Canoas, Guaíba, Porto Alegre, Capão da Canoa, Tramandaí, Portão, Alvorada, Sapucaia do Sul, Mariana Pimentel e Santa Maria.
Conforme investigação da Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) e da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRCOR), ambas do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), o grupo aterrorizou por cerca de dois anos caminhoneiros e empresários do ramo de transporte no Rio Grande do Sul.
Eles combinavam furtos de veículos de cargas com extorsão das vítimas e operação de desmanche em escala industrial.
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Veja o vídeo
Investigação começou na Grande Porto Alegre
A investigação teve início em 15 de setembro de 2023, quando uma denúncia anônima levou policiais militares a um galpão na Estrada João de Oliveira Remião, em Viamão. No local, três indivíduos foram realizavam o desmanche de um caminhão.
Duas semanas depois, no dia 29 de setembro, policiais localizaram outro galpão na RS-020, em Gravataí, onde criminosos mantinham um caminhão para desmanche. Durante a fuga, um dos investigados deixou cair um aparelho telefônico que serviu de prova posteriormente para a Polícia.
A apuração dos crimes revelou um esquema criminoso elaborado. “A organização funcionava como uma verdadeira empresa do crime, com departamentos especializados, hierarquia rígida e procedimentos operacionais padronizados que permitiam furtar, extorquir e desmanchar caminhões com eficiência industrial”, diz a Polícia.
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Quem estava no comando
A cadeia de comando do grupo criminoso era composta por quatro indivíduos. Um deles, de 45 anos, com passagens policiais, atuava como o “cérebro”, coordenando desde a identificação dos alvos até a venda final das peças, além de fabricar pessoalmente as chamadas “chaves-micha”, usadas para dar a partida nos veículos de carga.
Outro indivíduo, também com antecedentes policiais, atuava como o braço operacional, tomando decisões sensíveis e supervisionando as ações de campo.
O terceiro membro era especialista nas atividades de planejamento dos furtos e na extorsão das vítimas.
Já o quarto indivíduo assumia o papel de controlador financeiro, indo desde os pagamentos aos criminosos, até todas as transações ligadas à prática criminosa.
O grupo contava ainda com 15 executores especializados nos furtos. A célula chegou a ter uma rede de contatos com postos de combustíveis, que os informava sobre caminhões carregados e seus horários de parada.
Vítimas eram caminhoneiros que circulavam por vias como BR-116 e RS-122
Os alvos dos criminosos eram caminhões carregados com cargas como ração animal, materiais de construção, produtos eletrônicos, dentre outras, que transitavam, especialmente, na BR-116 e RS-122.
Após identificar o potencial alvo, o grupo analisava o veículo, fazia levantamento fotográfico do entorno, planejava rotas de fuga e monitorava a presença policial, entre outras ações. Após, com o uso das “chaves-micha”, os criminosos abriam os veículos sem precisar arrombar.
Depois de furtar os veículos, os criminosos passavam para a etapa da extorsão, pedindo entre R$ 5 mil e R$ 100 mil de “resgate” aos proprietários, dependendo do modelo do veículo e da carga.
Desesperadas, muitas vezes, as vítimas pagavam os valores exigidos. Já aqueles que não efetuavam os pagamentos, tinham os veículos encaminhados para os galpões de desmanche, onde, em muitos casos, um caminhão inteiro era desmontado em menos de 12 horas.
As peças eram, então, adulteradas e encaminhadas para o membro do grupo criminoso que possui uma empresa que atua no ramo de transportes e aluguel de caminhões em Guaíba. O indivíduo redistribuía as peças para diversas cidades gaúchas. Também, havia membros que falsificavam documentos, emprestavam veículos para o cometimento dos crimes, entre outras ações criminosas.
As investigações apontam que mais de 50 ocorrências policiais foram vinculadas diretamente aos investigados. As ações criminosas mapeadas foram de fevereiro de 2023 até abril deste ano.