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TENTATIVA DE HOMICÍDIO

Rixa política: Pedreiro vai a júri por balear vizinho um dia após eleição em Novo Hamburgo

Vítima sobreviveu a tiro e morreu de câncer

Publicado em: 14/01/2026 às 19h:11 Última atualização: 14/01/2026 às 19h:11
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Os dois vizinhos do bairro Santo Afonso, em Novo Hamburgo, nunca foram candidatos e não tinham proximidade com lideranças partidárias. Muito menos poder ou influência. Mas desavenças políticas entre os dois quase acabaram em morte, há mais de 17 anos, numa época em que não havia as trincheiras das redes sociais para alimentar ofensas e ódio entre militantes.

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Júri, que marca a primeira sessão plenária de 2026 no foro de Novo Hamburgo, está marcado para o próximo dia 22 | abc+



Júri, que marca a primeira sessão plenária de 2026 no foro de Novo Hamburgo, está marcado para o próximo dia 22

Foto: Arquivo GES

Um baleou o outro no dia seguinte à eleição municipal de 2008. O carroceiro Ivo Lange de Oliveira, que levou um tiro na virilha e chegou a ficar quatro meses sem poder trabalhar, morreu em 2021 de câncer no intestino, aos 59 anos. “O falecimento não teve relação direta com o tiro, mas isso fez ele passar por situação delicada de saúde e dificuldades financeiras”, declara um parente que pede para não ser identificado.

O acusado, um pedreiro de 54 anos, que hoje mora no bairro Santos Dumont, em São Leopoldo, vai a júri pelo crime de tentativa de homicídio. Será a primeira sessão plenária de 2026 no foro de Novo Hamburgo, no próximo dia 22. O pedreiro pode receber pena de seis a 20 anos de prisão.

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O julgamento era para ter ocorrido no dia 5 de agosto de 2025, mas foi cancelado e remarcado porque o réu estava sem advogado. Será assistido pela Defensoria Pública. “Tanto tempo depois, infelizmente o Ivo não vai estar presente para ver a justiça ser feita pelo que ele passou”, acrescenta o parente.

Disparos assustaram vizinhança

Pelo menos três tiros assustaram a vizinhança da Rua Presidente Neves por volta das 8 horas de 6 de outubro de 2008, uma segunda-feira. Ivo Oliveira foi visto correndo, ensanguentado, até cair e ser socorrido por familiares ao hospital. Conforme os parentes, o vizinho atirador não foi mais visto.

Os relatos é que os dois vinham se estranhando por causa das eleições. No dia anterior, Tarcísio Zimmermann (PT) havia sido eleito prefeito com 51,36% dos votos contra 42,19% do então ocupante do cargo, Jair Foscarini (PMDB), falecido em 2014.

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Mãe e filha da vítima relataram o socorro

A esposa da vítima declarou que não presenciou o crime, pois estava dentro de casa. A filha, que dormia, foi acordada e começou a gritar por socorro. Ela e a mãe providenciaram transporte ao hospital.
A jovem informou que, no fim de semana anterior, o vizinho havia jogado pedras no telhado de sua casa.

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A filha relatou ainda que as desavenças eram motivadas por divergências políticas. Também afirmou que o pai não tinha arma de fogo. Informou que o projétil atingiu a virilha e ficou alojado no glúteo.

Juíza contestou versão de legítima defesa

O réu alegou legítima defesa. Contou que Oliveira havia atirado cinco vezes contra ele, sem que nenhum tiro o atingisse, e que revidou com três disparos. Disse que um acertou o vizinho, que caiu e saiu correndo.

“Embora o réu tenha alegado que agiu em legítima defesa, porquanto teria revidado os disparos que a própria vítima teria desferido, dizendo inclusive que esta teria parado somente porque as balas teriam acabado, a presente informação é restrita ao seu depoimento, não sendo trazido aos autos qualquer comprovação de que a vítima estava portando uma arma de fogo e ainda que teria atirado contra o réu”, considerou a juíza Angela Dumerque, em abril de 2022, ao decidir que o acusado deve ir a júri.

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