A Secretaria Estadual de Segurança Pública divulgou os indicadores da violência contra a mulher no primeiro semestre de 2025. O apontamento do Estado, infelizmente, é para o aumento da violência nos primeiros seis meses do ano.
De janeiro a junho de 2025, o Rio Grande do Sul registrou 36 feminicídios. Foram 30 crimes hediondos em período homólogo de 2024, o que resulta em um aumento de 20% no semestre.

Foto: Paulo Pires/GES
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Canoas não observou nenhum feminicídio durante o primeiro semestre do ano. Foram quatro ameaças, número semelhante ao registrado nos primeiros seis meses de 2024. O restante dos números também preocupam.
As ocorrências de ameaça saltaram de 440 para 530 crimes, o que resulta em um aumento percentual de 20,45%. Em média, portanto, há duas ameaças registradas a cada 24 horas em Canoas.
Embora com um aumento percentual menor, na casa de 12%, os registros de lesão corporal igualmente chamam a atenção. Foram 306 agressões contra as 271 cometidas no ano passado. A média é de, pelo menos, uma mulher agredida por dia, no mínimo.
Em decréscimo, somente os estupros, que caíram 30%. No entanto, não há número a ser celebrado. Foram 35 crimes de violência sexual contra os 50 registrados no mesmo intervalo de tempo no ano passado.
No caso dos estupros, a Polícia entende que precisa ser considerada ainda a chamada “cifra oculta”, que diz respeito aos casos que não são reportados às autoridades policiais e, portanto, não aparecem nas estatísticas oficiais das vítimas.
Confiança
Na avaliação do delegado Cristiano Reschke, diretor da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana [DPRM], o aumento dos registros era previsto diante da criação da plataforma on-line para registros de Medidas Protetivas de Urgência (MPU) no RS.
“O aumento dos registros está ligado diretamente a ampliação dos canais de denúncia”, explica. “Canoas não observa o crescimento dos feminicídios, portanto, o cenário é de encorajamento para que as vítimas confiem no sistema e denunciem os agressores.”
O delegado destaca que Canoas mantém equipes de plantão 24 horas, prontas para agir diante da necessidade de cada caso, de modo a eliminar o risco à vítima em casos no qual o perigo é considerado iminente pela autoridade policial.
“Hoje, a vítima chega na Delegacia de Pronto Atendimento e recebe atendimento especializado de policiais preparados para agir”, defende. “A presença de uma arma de fogo atrelada à ameaça em casa, por exemplo, represta um risco a ser eliminado de imediato, com a apreensão da arma e a prisão do suspeito.”
Crime mais brutal
Embora o primeiro semestre de 2024 não tenha um registro de feminicídio, Canoas não fechará o ano sem uma mulher assassinada. Isso porque uma mulher acabou brutalmente morta a marteladas no dia 2 de julho.
O crime bárbaro aconteceu na Rua Cícero de Almeida, no bairro Mato Grande, segundo a Polícia. A vítima de 29 anos foi atacada pelo companheiro de 34 anos. O assassino confesso acabou preso pela Brigada Militar no local do crime. Tinha em mãos a marreta usada para matá-la.
Segundo a delegada Angélica Marques, responsável pela DP Especializada da Mulher, em Canoas, um desentendimento culminou no brutal assassinato cometido na porta da casa da vítima.
“Eles tiveram um desentendimento e ele começou a bater nela com um martelo”, esclareceu. “Encontramos extenso histórico de violência doméstica ligado ao casal. Ao longo de 14 anos, houve brigas entre términos e reconciliações.”
Medidas on-line
Após uma série de dez feminicídios cometidos durante o feriadão da Semana Santa, em abril, a Polícia Civil e a Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP-RS) anunciaram medidas para combater a violência doméstica no Estado.
Uma das novidades foi a possibilidade das vítimas solicitarem a medida protetiva pela Internet, ou seja, sem a necessidade de ir até uma delegacia, por meio do site da Delegacia de Polícia Online da Mulher RS.
Para usar o sistema, a mulher deve acessar o site pelo celular ou computador, registrar a ocorrência e solicitar a medida protetiva de urgência. Após isso, o pedido será encaminhado para as delegacias que repassam diretamente até a Comarca do município da vítima. O juiz tem até 48 horas para deferir a medida.
Confira os canais de denúncia disponíveis:
• Em situação de emergência: 190
• Central de Atendimento à Mulher: 180
• Disque Mulher 24 Horas: (51)99275-8146
• WhatsApp da Polícia Civil: (51)98444-0606
• Boletim de Ocorrência pode ser feito na Delegacia de Polícia Online
• Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam): funciona na Avenida Dr. Sezefredo Azambuja Vieira 2.730, Marechal Rondon, ou em qualquer DP de Polícia. Telefones: (51)3425-9035 e (51)98416-8073
• Patrulha Maria da Penha da Brigada Militar: (51) 3477-8800; (51) 98413-4102.