O desvio e comercialização irregular de doações enviadas para vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul, afetados pela catástrofe climática de maio do ano passado, desenrolaram em uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio Grande do Sul (Gaeco/MPRS) nesta quinta-feira (4).
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Foto: Divulgação/MPRS
Os itens foram enviados dos Estados Unidos e de empresas sediadas na Serra gaúcha. Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em Caxias do Sul, São Marcos e Boa Vista do Sul, além do bloqueio de contas bancárias no valor de R$ 2 milhões.
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A investigação revelou que roupas e utensílios destinados a famílias desabrigadas foram encaminhadas a uma ONG, mas acabaram sendo comercializados em brechós da região, “com indícios de enriquecimento ilícito por meio de laranjas e recebimento de valores via Pix em nome de terceiros”, segundo o MP.
Conforme o promotor de Justiça Manoel Figueiredo Antunes, coordenador do 5º Núcleo Regional do Gaeco – Serra, parte do dinheiro foi usada para aquisição de veículos, um apartamento e outros bens da principal pessoa investigada. Oito suspeitos, três deles da mesma família, e uma empresa jurídica são alvo do Gaeco nesta quinta.

Foto: Divulgação/MPRS
Antunes pontua que foram cometidos os crimes de apropriação indébita, organização criminosa e lavagem de dinheiro, praticados em contexto de calamidade pública. A investigação teve início após denúncia encaminhada ao Consulado-Geral do Brasil em Miami, que alertou a Defesa Civil do Estado para a venda de roupas importadas – algumas de marcas conhecidas – que deveriam ter sido destinadas às vítimas das enchentes.
Com a apreensão de documentos, mídias e celulares, o objetivo é apurar se há mais envolvidos, quanto movimentaram em dinheiro, valores que revenderam de forma ilegal as peças doadas e até se desviaram doações em outras situações.
“O interesse público é muito superior ao interesse individual dos investigados, que se aproveitaram da dor das pessoas para obter vantagem patrimonial. Inclusive, divulgavam ações solidárias em suas redes sociais durante as enchentes, e um dos investigados chegou a ser reconhecido publicamente por isso”, destacou o promotor Manoel Figueiredo Antunes.
Já o coordenador estadual do Gaeco, promotor de Justiça André Dal Molin, informou que “a Operação Ascaris, que sempre teve uma interlocução direta com a Defesa Civil do Estado, em uma parceria entre as instituições públicas, busca responsabilizar os envolvidos e garantir que recursos e bens desviados sejam recuperados”. A Operação Ascaris teve apoio do Núcleo de Inteligência da instituição (NIMP) e da Brigada Militar.