A Polícia Civil prendeu preventivamente, nesta terça-feira (12), um servidor público investigado por dezenas de crimes de estelionato, falsidade ideológica e exercício ilegal da profissão.
Segundo a Polícia, o homem, servidor concursado da Prefeitura de Canoas, e integrante da diretoria de sua associação profissional, teria criado um grupo de WhatsApp no qual incluiu colegas de trabalho, outros servidores municipais e até parentes deles.

Foto: Divulgação
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No espaço virtual, ele se apresentava como advogado regularmente inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e vinculado a um escritório de advocacia, oferecendo serviços jurídicos para ingresso de ações de levantamento do FGTS, aponta a delegada Luciane Bertoletti, titular da 3ª Delegacia de Polícia (DP) de Canoas.
Conforme a investigação, o suspeito cobrava valores que variavam entre R$ 600 e R$ 1.000 para supostamente ajuizar as ações. Após o pagamento, no entanto, as vítimas não recebiam informações concretas sobre o andamento dos processos, sendo constantemente desviadas com desculpas e justificativas vagas.
“Ele alegava problemas particulares sempre que alguém o cobrava a respeito da situação”, explica. “Só que estas desculpas não acabaram adiantando por muito tempo, porque as vítimas começaram a pedir o dinheiro de volta.”
Com o aumento das cobranças por parte dos lesados, o servidor divulgou uma “nota pública” assinada em nome de um desembargador, na qual afirmava que, por questões internas e de documentação, o escritório não havia conseguido ingressar com as ações, mas que os valores pagos seriam devolvidos. A assinatura, confirma a Polícia, é falsa.
Além do mandado de prisão preventiva cumprido nesta segunda-feira, foram executadas medidas cautelares nas residências do suspeito, com o objetivo de recolher documentos, aparelhos eletrônicos e outros elementos de prova, o que pode resultar em desdobramentos da ação policial para identificar novas vítimas e eventuais comparsas.
“O exercício ilegal da advocacia e a falsificação de documentos não apenas causam prejuízo financeiro, mas também minam a confiança da sociedade nas instituições”, afirma. “Fica o alerta também porque as pessoas não podem simplesmente confiar em um carimbo.”
O que diz a Prefeitura de Canoas
Por meio de nota, a Prefeitura de Canoas informa que será aberto expediente disciplinar para apurar a conduta do servidor concursado da Fundação Municipal de Saúde de Canoas (FMSC) que teve prisão preventiva cumprida na manhã desta terça-feira (12). Concomitantemente, a FMSC instaurou procedimento administrativo de sindicância, pela mesma razão. As penalidades previstas na legislação, em sendo o caso, serão aplicadas após a conclusão da investigação instaurada.
A administração municipal esclarece que a FMSC é uma fundação pública de direito privado, sem fins econômicos, de natureza estatal, voltada ao interesse coletivo e utilidade pública, com autonomia gerencial, patrimonial, orçamentária e financeira e quadro de pessoal próprio.
A Prefeitura e a FMSC reiteram que tomaram conhecimento da prisão preventiva do servidor, acusado de estelionato, falsidade ideológica e exercício ilegal da profissão, por meio de notícias veiculadas na imprensa
A nota diz, ainda, que que não há, até o momento, acesso às provas colhidas na investigação policial e que será solicitado às autoridades competentes o compartilhamento das informações para a devida instrução dos procedimentos administrativos, inclusive para eventual afastamento preventivo do empregado.
Conforme também noticiado em alguns canais de mídia, a FMSC confirma que o referido empregado encontra-se atualmente afastado do trabalho em razão de licença-saúde concedida pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).