Uma suposta “brincadeira” feita a uma adolescente de 14 anos teria sido o estopim para levar um professor à prisão por suspeitas de abusos e importunação sexual cometidos contra estudantes do Colégio Marechal Rondon, em Canoas, nesta quarta-feira (25).
A vítima do 9º ano da instituição de ensino recorreu à direção e à Brigada Militar após a atitude do docente, posteriormente encontrado e preso em flagrante na casa onde reside.
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Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL
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Segundo as estudantes, o comportamento considerado inadequado do professor perdura há anos. Os relatos apontam “brincadeiras”, aproximação e contato físico com as alunas.
“A minha colega se abaixou e ele parou para olhar a bunda dela”, relatou à reportagem de ABCmais uma estudante. “Então, não satisfeito, fez uma piadinha. Ela não gostou e ele disse que ela ainda pagaria para ele de outro jeito.”
Assim que receberam o chamado, policiais correram ao local, mas não acharam o professor. Fugiu pela janela da instituição, conforme relatos. Acabou sendo preso, entretanto, minutos depois, escondido em casa.
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“Fizemos o acompanhamento das vítimas e de seus responsáveis até a Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento para serem tomados os procedimentos legais cabíveis diante do caso”, confirmou o tenente-coronel Clóvis Ivan Alves, do 15º Batalhão da Polícia Militar (BPM).
Na Delegacia, dezenas de pais aguardavam atendimento até o meio da tarde desta quarta-feira, visando conversar com a autoridade policial a respeito da conduta do docente.
“É um velho sem-vergonha e tarado”, disse uma mãe à reportagem. “Ele já responde por assédio de uma estudante e continuava dando aula, o que é um absurdo.” A Polícia Civil, contudo, não confirmou se o suspeito responde por um processo de assédio sexual.
Por se tratarem de vítimas entre 12 e 14 anos, a reportagem não destaca os nomes dos envolvidos, conforme vedação prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que proíbe a divulgação de qualquer elemento que permita a identificação direta ou indireta das menores.
Apuração
O caso foi assumido pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Canoas, que vai instaurar inquérito a respeito da conduta do professor.
A reportagem contatou o delegado Maurício Barison, mas ele preferiu não dar nenhuma declaração antes de se inteirar do que aconteceu na escola.
Posicionamento
A direção do Colégio Marechal Rondon foi procurada para posicionamento da instituição diante do caso, mas a diretora não foi achada. Em nota, a Secretaria Estadual de Educação confirmou somente que o professor foi levado à delegacia após denúncias de estudantes.
Além do trabalho de apuração policial, a 27ª Coordenadoria Regional de Educação abrirá sindicância para apuração dos fatos.
Em paralelo, uma equipe da Coordenadoria prestará apoio à comunidade escolar, com ação de acolhimento por meio do Núcleo de Saúde e Bem-Estar.