Onze funcionários de uma empresa de reciclagem de resíduos de Sapucaia do Sul foram resgatados de condição análoga à escravidão nesta terça-feira. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), os trabalhadores faziam a triagem de lixo no bairro Sete em condições consideradas degradantes devido ao estado precário dos alojamentos.
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O dono foi preso em flagrante pela Polícia Federal. Ele admitiu que a situação dos trabalhadores durava cerca de uma década. Ainda conforme a fiscalização, os operários são oriundos da região metropolitana e têm idades entre 41 e 64 anos. O material reciclado é vendido para empresas de várias cidades.
Galpão inabitável
De acordo com o MTE, os homens moravam em um galpão com piso de terra, sem janelas, feito com madeira reaproveitada e material de contêineres. Não havia instalações sanitárias e o telhado tinha vários espaços abertos. A água da chuva se infiltrava e havia empoçamento de esgoto no alojamento.
Os trabalhadores compartilhavam o mesmo espaço com animais, entre eles uma cadela com 10 filhotes recém-nascidos. “As péssimas condições do ambiente de trabalho e o estado precário do alojamento levaram à autuação como situação análoga à escravidão e ao resgate dos trabalhadores”, diz o MTE, em nota.
Galpão é irregular e fica em área invadida
A investigação teve origem em denúncia a órgãos de fiscalização. Após verificações preliminares indicarem o crime, foi feito o flagrante no local. A inspeção colheu depoimentos dos trabalhadores e do dono. Como fica em área invadida, a empresa não possui comprovação de posse pelo proprietário nem alvará.
O acusado foi notificado a pagar as verbas rescisórias dos trabalhadores, que serão encaminhados para recebimento de três parcelas do benefício do seguro-desemprego. Os resgatados foram destinados à rede de assistência social do município.
A prefeitura de Sapucaia do Sul afirma que os trabalhadores foram para a República Esperançar, onde receberam atendimento médico, alimentação, suporte psicossocial e auxílio para a regularização de documentos.
Em nota oficial, a Secretaria de Proteção e Desenvolvimento Social afirmou que “reforça seu compromisso com a busca ativa de pessoas em situação de vulnerabilidade e atua permanentemente em parceria com outros órgãos na prevenção, investigação e acolhimento em casos de violação de direitos”.
Veja fotos do local:

Foto: Divulgação/Ministério do Trabalho e Emprego

Foto: Divulgação/Ministério do Trabalho e Emprego

Foto: Divulgação/Ministério do Trabalho e Emprego

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