abc+

TORTURA

"Perdeu os movimentos até o braço direito": Como está o caso do patrão que obrigou empregado a arrancar o próprio dedo

Homem, que está preso na Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan), tem encontro com a Justiça nos próximos dias

Publicado em: 24/09/2025 às 14h:51 Última atualização: 24/09/2025 às 17h:09
Publicidade

Permanece como um dos casos policiais mais violentos do ano: no dia 22 de março, um homem de 49 anos foi aprisionado pelo patrão e submetido a uma série de torturas, inclusive teve que arrancar o próprio dedo, na oficina em que trabalhava, em Canoas.

Publicidade

O suspeito do crime era, na época, o patrão do homem. O empregador com 42 anos foi preso cinco dias depois, no dia 27 de março, quando a Polícia Civil esclareceu o caso e expôs detalhes sobre a tortura a que a vítima foi submetida por mais de oito horas.

prisão flagrante padrasto canoas mato grande tortura delegacia de proteção à criança e ao adolescente  | abc+



prisão flagrante padrasto canoas mato grande tortura delegacia de proteção à criança e ao adolescente

Foto: Polícia Civil/Divulgação

CLIQUE E FAÇA PARTE DO GRUPO DE WHATSAPP DO DIÁRIO DE CANOAS

Seis meses depois do crime, o patrão, que permanece preso na Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan), tem um primeiro encontro marcado com a Justiça, na tarde da próxima sexta-feira (26), quando ocorre a audiência, em Canoas.

Segundo o Tribunal de Justiça do Estado, na audiência, que ocorrerá na 2ª Vara Criminal da Comarca de Canoas, serão ouvidas a vítima, as testemunhas de acusação e o interrogatório do réu.

Publicidade

O objetivo é o encerramento da instrução processual, confirma o TJ-RS, que marcou para as 14 horas o início da audiência com as primeiras oitivas. A audiência está marcada para 14 horas.

LEIA TAMBÉM: Homem encontrado morto levou 12 tiros e investigação já aponta quantos envolvidos

O crime investigado pela 1ª Delegacia de Polícia (DP) de Canoas culminou no indiciamento do suspeito pelos crimes de tortura e cárcere privado, segundo o delegado Marco Antônio Arruda Guns.

Publicidade

“Ele [o patrão] pensava que estava sendo roubado pelo funcionário, mas nada justifica tamanha raiva contra outro ser humano”, disse na época o delegado. “Além do alicate usado para cortar o dedo, a tortura incluiu furadeira, maçarico e água fervente largada nas costas da vítima.”

Furadeira acabou apreendida por ser apontada pela vítima como instrumento de tortura para que os joelhos fossem perfurados pelo agressor | abc+



Furadeira acabou apreendida por ser apontada pela vítima como instrumento de tortura para que os joelhos fossem perfurados pelo agressor

Foto: POLÍCIA CIVIL/REPRODUÇÃO

Publicidade

Defesa

Advogada responsável pela defesa da vítima, Marineuza Lauthart, garante que as provas são contundentes e o processo está muito bem encaminhado para garantir a condenação do acusado.

“A Polícia Civil trabalhou muito bem e o Ministério Público foi ágil ao denunciar o réu, diante da gravidade do que aconteceu. É um caso impar, que exige uma resposta à sociedade”, disse.

A advogada informa que a vítima não estará presente na Comarca de Canoas, acompanhando e participando do processo por meio on-line, algo que o Tribunal de Justiça entendeu ser seguro.

Publicidade

“O trauma ainda é enorme”, frisa. “Ele acabou submetido a uma violência desmedida. Saiu de Canoas por medo. E permanece bem longe. Nem eu mesma conheço o endereço onde está”.

VÍDEO: Homem invade carro para pegar carteira e usa documentos da vítima para movimentar quase R$ 20 mil em São Leopoldo

Publicidade

Aposentadoria

Desde a época do crime, o ex-funcionário, por medo de sofrer nova violência, buscou refúgio bem longe de Canoas, onde permanece com a mulher e o filho.

Por conta da tortura, após meses de uma rotina entre procedimentos cirúrgicos e alta de hospitais, ele perdeu não apenas o dedo, mas o movimento da mão.

Publicidade

Conforme relato da esposa do trabalhador, Clarice Silva da Silva, o marido foi considerado incapaz e deve receber a aposentadoria em breve.

“Ele não vai mais poder trabalhar, porque perdeu os movimentos da mão até o braço direito”, diz. “Graças a Deus, já está tudo encaminhado com o INSS.”

LEIA MAIS: Depósito que escondia 10 carros roubados e furtados é descoberto no Vale do Sinos e homem é preso

Caso do patrão que obrigou empregado a arrancar o próprio dedo volta à justiça

Entenda o caso

Ao se apresentar para trabalhar na manhã do dia 22 de março, o funcionário foi dominado com um mata-leão pelo próprio chefe na oficina onde trabalhava.

O empregador o agrediu com uma furadeira, martelo, choques elétricos e o obrigou a cortar o próprio dedo. A violência durou mais de oito horas, segundo a Polícia.

Inicialmente acorrentado, o funcionário conseguiu escapar e, posteriormente, pedir ajuda para vizinhos próximos ao local.

Dias após o crime, no dia 27 de março, a Polícia prendeu o patrão, que teria alegado que o funcionário pegou dinheiro que ele havia guardado.

“No local, foram encontrados os instrumentos usados no crime, além de uma arma de fogo, tipo garrucha, usada para ameaçar a vítima, caso tentasse escapar”, explicou o delegado Marco Guns.

Sem contato

A reportagem tentou contato com a defesa do acusado. O espaço fica aberto para manifestação do réu no processo.

Publicidade

Matérias Relacionadas