Aos 70 anos, o eletricista Valtoir Marques, mesmo aposentado, não para de trabalhar. Isso porque há muito serviço a ser feito em Canoas envolvendo alicate e fios de cobre.
Somente na última semana, o trabalhador foi acionado uma dúzia de vezes devido a demandas de recolocação de fiações elétricas em residências do bairro Mathias Velho. O problema, conta o eletricista, são os furtos.

Foto: PAULO PIRES/GES
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“Tem muita gente acordando sem luz em Canoas”, relata. “Eu já cheguei a identificar os guris, mas fazer o quê? Não sou polícia e não tenho porte de arma para render os vagabundos, então sigo trabalhando.”
Conforme o veterano eletricista, a maior demanda está localizada na área central do bairro, ainda bastante afetada pelas cheias que atingiram a cidade em maio do ano passado.
“Os vagabundos puxam os fios e arrebentam tudo”, explica. “Depois levam para a sucata, que compra a preço de banana. Eu já quase peguei eles arrancando. Tudo na base do puxão. Dão um pique no cabo e puxam o resto com força.”
Morador da Rua Taquari, no bairro Mathias Velho, o aposentado Gilberto Nogueira não acordou sem luz. É que os cães no pátio impediram que os ladrões removessem a fiação da casa.
“Os chinelos entraram durante a noite”, lembra. “Era tarde da noite quando ouvi os cachorros latindo e corri para a janela. Eu vi dois pulando a cerca. Minha cadela grudou o calcanhar de um, que saiu gemendo.”
Prejuízo
Morador do Mathias Velho, Ademar Gonçalo não teve a mesma sorte. Precisou pagar a fiação e mais o eletricista responsável pela instalação da energia do poste da medição até a entrada da casa.
“Só descobri que estava sem luz porque roubaram os fios perto do meio-dia. Tudo por causa de uma chinelagem”, conta o aposentado com 57 anos. “Precisei correr para não entrar a noite no escuro.”
Policiamento
A Brigada Militar (BM) informou que reforçará o policiamento ostensivo na área, visando coibir os crimes.
Já a Polícia Civil trabalha para identificar suspeitos e o endereço para onde está sendo encaminhado o material.
Na avaliação da Polícia, se há crimes em determinada área, é porque alguém está comprando.